Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Árbitro queixa-se de nunca lhe terem dado nada

Manuel Marcolino, árbitro da segunda categoria nacional, considera-se vítima de tratamento discriminatório da parte dos dirigentes desportivos da Federação, da Liga e dos vários clubes por nunca lhe terem sido oferecidos presentes em troca de arbitragens favoráveis nos seus longos anos de carreira. A queixa foi oficializada num requerimento entregue à Federação Portuguesa de Futebol, onde o árbitro solicita que o seu caso seja investigado e sejam apuradas responsabilidades.
“Durante anos, via colegas meus com sapatos italianos, relógios de ouro, carros, casas com piscina, viagens, amantes ucranianas e eu não passava da cepa torta,” refere, “Isto ou é para todos ou não é para ninguém. Assim é que não pode continuar.”

A indignação passou dos limites com a recente operação Apito Dourado em que foram detidos árbitros, funcionários da FPF e o próprio presidente da Liga, major Valentim Loureiro. Ao ver todos os dias na televisão referências a alegados casos de corrupção no futebol e ao ouvir relatos de árbitros que terão sido pagos, Manuel Marcolino achou que estava na altura de “pôr os pontos nos is.”

“Não foi por não ter tentado,” lembra, “Até cheguei a arbitrar uns jogos do Gondomar punha-me à espera do senhor major antes do jogo e ele chegava ao pé de mim, eu estendia-lhe a mão e ele apertava-a, cumprimentava-me e ia-se embora sem me deixar sequer uma satisfação ou uma máquina de lavar nova que a minha mulher queixa-se sempre que a que temos lá em casa é um chaço velho.”

Para o advogado do árbitro queixoso, José António Facínora, “mais grave ainda do que a corrupção é a discriminação” e promete levar o caso até às últimas consequências ou até se acabar o dinheiro do seu cliente, o que aconteça primeiro, sugerindo aos organismos que tutelam o futebol nacional a criação de uma Comissão de Ética da Corrupção composta por membros ligados exclusivamente a dois ou três clubes da zona norte do país para garantir que os subornos a árbitros serão atribuídos de forma arbitrária e sem favorecimentos motivados por relações familiares, de amizade ou outras.

Camacho Costa, inspector da Judiciária sem parentesco com o actor falecido e envolvido nas investigações da operação Apito Dourado que deu origem a esta polémica, considera tratar-se “de um assunto que cai fora do âmbito das competências da Polícia Judiciária e agora com licença que temos de arranjar um nome folclórico para uma rusga a casas de passe no Intendente e estamos indecisos entre Pipis Perfumados e Grelo Ilícito.”

O presidente da FPF, Gilberto Madail, recusou comentar para já mas adiantou que “DEIXEM-ME EM PAZ! SE FIZEREM DE MIM SUSPEITO DE MAIS COISAS, EU MATO-ME! JURO QUE ME MATO!”

Reacção semelhante mas menos histérica teve o ministro que tutela o desporto, José Luís Arnaut, que apenas referiu ser necessário que os portugueses se concentrem para fazer do Euro 2004 um evento inesquecível e que “não é apenas o futebol que é uma paixão dos portugueses. O nosso povo sempre nutriu também uma afeição especial pelo fenómeno da corrupção.” Ao que a Inépcia apurou, numa tentativa de minimizar os efeitos desta polémica para a organização do campeonato europeu, ao slogan oficial do torneio “We Love Football,” será acrescentado “And Corruption Too.”

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