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João Pedro Pais traumatizado por fogo de artifício de ano novo. Câmara de Lisboa nega responsabilidades

O popular cantor João Pedro Pais deu entrada nas urgências do Hospital Curry Cabral em estado de choque profundo provocado pelo fogo de artifício que se seguiu a um concerto seu no Terreiro do Paço aquando da passagem de ano.

O médico que acompanhou o artista, o neurologista João Pedro Pirilau de Figueiredo, disse à Inépcia que “João Pedro Pais encontrava-se num estado de agitação extrema e que não se conseguia expressar de forma coerente. Posteriormente, fui informado por um familiar de que é esse o seu estado normal mas, mesmo assim, o seu comportamento era bastante bizarro.”

Ao que apurámos, os pormenores mais bizarros do comportamento do cantor estariam relacionados com referências constantes e ofegantes ao “barulho que faz doer orelhas” e que “não deixa pensar João” acompanhadas com lágrimas ocasionais e com interpretações de temas do seu último álbum que provocaram o agravamento do estado de dois outros doentes presentes nas urgências e forçaram a sua transferência para um sector do hospital com isolamento acústico. Sempre que um elemento do pessoal médico o questionava sobre os sintomas, João Pedro Pais assumia posição de praticante de luta livre, desporto a que se dedicou na juventude, e entoava o hino da Casa Pia, o seu velho estabelecimento de ensino.

“Trata-se de uma patologia rara em humanos mas muito comum em animais como os canídeos, por exemplo,” explica o doutor Pirilau de Figueiredo, “Os efeitos pirotécnicos costumam lançar estes animais num estado de confusão e pânico semelhante ao que João Pedro Pais apresenta devido à sua maior sensibilidade auditiva e à capacidade cerebral reduzida que não lhes permite interpretar correctamente que ao ruído não corresponde uma ameaça real.” No entanto, exames a que foi submetido revelam que o cantor não possui capacidade auditiva superior à normal.

Rui Veloso, que partilhou o concerto de fim de ano do Terreiro do Paço com João Pedro Pais, confessa que não reparou em qualquer comportamento bizarro do colega por estar ocupado a preparar o seu cocktail-tisana diário (uma mistura de cinco marcas diferentes de whisky num jarro de três litros) e que só foi informado do sucedido quando acordou dois dias depois.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, nega quaisquer responsabilidades (depois de ter negado ser o presidente da Câmara, negação de que só desistiu quando confrontado com um recorte de jornal em que o seu nome era referido como titular do cargo) e manifestou pesar pelo estado do artista, desejando-lhe as melhoras rápidas. “Não sabíamos que o João Pedro Pais tinha esta sensibilidade canina ao fogo de artifício senão teríamos tomado providências, como é óbvio. Talvez ter-lhe atado um foguete à perna que o fez correr disparado pela Rua do Ouro acima a ganir tenha sido um exagero mas o que lá vai, lá vai,” refere.