Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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PSD e CDS planearam atentado contra Durão Barroso

A crise política instalada em Portugal com a aceitação pelo primeiro-ministro do cargo de presidente da comissão europeia poderia ter-se revestido de contornos ainda mais gravosos se os planos de um grupo de dirigentes dos partidos da coligação governamental de atentar contra a vida de Durão Barroso tivessem ido por diante.

Ao que a Inépcia apurou após ouvir uma conversa na casa-de-banho da pastelaria “Estrela da Alvorada” sita no Lavradio, as referências frequentes à falta de legitimidade de um novo governo PSD-CDS formado sem recurso a eleições antecipadas e a crescente oposição popular a uma medida deste género, levaram a que figuras conceituadas dos dois partidos, num acto de desespero, congeminassem assassinar o primeiro-ministro de forma a garantir assim que Jorge Sampaio não optaria pela dissolução da Assembleia da República, seguindo o precedente do convite de Ramalho Eanes a Francisco Pinto Balsemão para formar um novo governo na sequência da morte trágica e acidental (porque cá não se usa essa americanice dos assassinatos políticos) do então primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, num acidente aéreo.

A identidade dos conspiradores permanece desconhecida. O pouco que se sabe deve-se à descrição feita pelo proprietário da sauna gay em que costumavam reunir-se. “Eram homens de meia idade, vestiam fato, tinham mau ar e cara de quem passa a maior parte do tempo a pensar em maneiras de lixar o próximo,” afirma Eduardo “Eddie” Pires, dono e gerente da “Colossus,” o oitavo estabelecimento abertamente gay mais popular da cidade de Lisboa sem contar com o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Esta descrição pode aplicar-se à maioria dos políticos portugueses, o que dificulta o apuramento da verdade. Questionado sobre o número de políticos que habitualmente frequentam o seu estabelecimento, Eddie recusou-se a responder a mais perguntas, desculpando-se com a preparação do envio urgente de dois massagistas brasileiros para a Assembleia da República.

Foram planeadas várias alternativas possíveis para pôr fim à vida de Durão Barroso. Uma delas envolvia armadilhar o videogravador presente no seu gabinete que explodiria quando o primeiro-ministro se trancasse para ver a gravação de todos os programas televisivos em que foram transmitidas imagens suas, um ritual diário, desconhecendo-se o que faz Durão no tempo que passa trancado no gabinete a ver-se na televisão mas os colaboradores mais próximos referem que sai sempre com um ar aliviado e sorridente e ajeitando a braguilha. O plano acabaria por ir por água abaixo quando se constatou que nenhum dos conspiradores era suficientemente letrado para ler o manual do aparelho e aprender a programá-lo para explodir à hora marcada.

Outra hipótese que chegou a ser considerada como alternativa a esta foi a de armadilhar o ministro-adjunto, José Luís Arnaut, convidando-o para uma almoçarada de frango de churrasco com molho de dinamite, uma velha receita angolana do tempo da guerra colonial, que o faria explodir durante a reunião seguinte do Conselho de Ministros, visto que é sabido que a dinamite é altamente instável na presença de uma concentração elevada de estupidez. Felizmente para Durão, a conspiração foi abandonada quando revelou que o Presidente da República lhe tinha dado garantias de que não convocaria eleições antecipadas.

O provável senhor que se segue à frente dos destinos do país, Pedro Santana Lopes, não quis comentar mas mostrou-se disponível para ser o primeiro-ministro de aspecto mais duvidoso na história portuguesa ex-aequo com Pinto Balsemão e com Bartolomeu Pinguim que chefiou um governo durante a primeira república e apenas durante cerca de meia hora, tendo sido demitido quando se constatou que nomear governantes ao calhas escolhidos entre os pacientes de hospitais psiquiátricos não é boa ideia (este incidente daria posteriormente origem à célebre lei Pinguim, ainda em vigor, que estipula que, apesar de ser perfeitamente legítimo que um primeiro-ministro acredite ser a Rainha Santa Isabel, é preferível não se vestir em conformidade).

Santana Lopes apresentou ainda um dos projectos que pretende pôr em prática quando for convidado a formar governo e que resolverá muitos dos problemas dos portugueses. Trata-se de um túnel que ligará Portugal a França por via subterrânea, facilitando assim o acesso dos condutores à Europa sem terem de passar pelas congestionadas estradas espanholas. A obra estará a cargo do arquitecto mais caro que se encontrar e a hipótese de instalar um casino e a nova feira popular algures a meio do trajecto não passa para já de uma possibilidade. Com isto, o ainda autarca lisboeta pretenderá mostrar aos seus críticos que é um homem competente e com obra feita (mais ou menos) como poderá confirmar qualquer pessoa que passe pela rotunda do Marquês de Pombal.

Durão Barroso também foi convidado a comentar a existência de um atentado para pôr fim à sua vida mas exigiu fazê-lo em inglês com citações em francês por respeito para com o carácter internacional das suas novas funções, motivo pelo qual foi deixado a falar sozinho.

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