Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Bagão Félix equipara aborto a cuspidela para o chão

O ministro da Segurança Social e do Trabalho, Bagão Félix, voltou a pronunciar-se sobre a polémica questão do aborto numa altura em que mulheres portuguesas continuam a ser julgadas por terem posto fim a gravidezes indesejadas por meios ilegais. O ministro voltou a afirmar que não tem qualquer tipo de interesse em ver mulheres presas por abortar mas manteve a condenação do acto em si e lembrou que a interrupção voluntária da gravidez continua a ser proibida por lei. Desta vez, recorreu a uma comparação com outros actos tecnicamente ilegais mas que não são propriamente crimes para dar a entender a sua posição pessoal perante o aborto.

“É mais ou menos como cuspir para o chão,” explicou, “A lei proíbe e quem for apanhado a fazê-lo pode ser multado, não se tratando propriamente de um crime como o tráfico de droga ou o homicídio mas sim de um acto muito feio e que parece mal.” Levando a sua argumentação mais longe, Bagão Félix comparou ainda o aborto clandestino ao acto de urinar ou defecar na via pública, ao grafitti selvagem, à vandalização de cartazes com a fotografia do primeiro-ministro Durão Barroso ou ao acto de urinar ou defecar sobre o primeiro-ministro Durão Barroso na via pública ou não.

O ministro admitiu ainda que “é necessário debater de forma séria esta situação para encontrarmos uma solução adequada e razoável, mostrando ao país que o governo lida com assuntos incómodos como este com toda a frontalidade e de forma ponderada e adulta.” Assim, Bagão Félix revelou que o governo PSD-CDS está a preparar uma proposta de lei que substituirá as penas de prisão aplicada às mulheres que abortam por uma pena de “tau-tau” aplicada pelo próprio ministro com uma luva de cabedal rijo. Outra prova da maturidade do executivo é a eliminação na referida proposta de lei da expressão “mulheres que abortam” que será substituída por “meninas marotas que tiveram azar no truca-truca.”

Esta medida foi já aplaudida por altas individualidades da Igreja Católica, pelos movimentos defensores do “direito à vida” e pela Associação dos Obstetras de Reputação Duvidosa de Badajoz. O cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, aproveitou a oportunidade para apelar a todas as mulheres para que “percam o vício de abortar” e lembrou, a título de exemplo, o que seria de Portugal se as mães dos membros do actual governo tivessem levado os seus abortos até ao fim.

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