Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Bandeira dos chineses oficializada

Com a recente moda de pendurar bandeiras por todo o lado, os portugueses ficaram a conhecer uma versão alternativa da bandeira nacional carinhosamente baptizada como “bandeira dos chineses” em referência ao facto de ser vendida em estabelecimentos económicos propriedade de comerciantes chineses. Esta bandeira alternativa é facilmente identificável pelo facto de os sete castelos amarelos representados na moldura vermelha do escudo nacional terem sido substituídos por uns objectos estranhos que ninguém sabe dizer ao certo o que são (há quem diga que são pagodes) mas que parecem ter agradado, visto que a bandeira dos chineses se popularizou de tal forma que a Assembleia da República aprovou uma lei que oficializa este design alternativo.

Um dos momentos altos na história ainda breve do estandarte ocorreu quando, na final do campeonato europeu de futebol no Estádio da Luz, a esposa do primeiro-ministro, Margarida de Sousa Uva, agitava orgulhosamente na tribuna de honra uma dessas bandeiras imbuída do fervor patriótico que a fadiga crónica e a esquizofrenia que a afecta desde a adolescência permitem.

Quanto ao valor simbólico da nova bandeira, foi constituída uma comissão parlamentar com o objectivo de fazer uma interpretação simbólica dos estranhos gatafunhos amarelos e formalizar uma explicação aprazível mas esta só estará pronta quando o parlamento retomar a sua actividade depois das férias de Verão. Das teorias existentes, as mais populares são as que referem tratar-se dos gigantones que el-rei Dom Luís tanto gostava de ver passar no Carnaval de Torres Vedras ou de uma representação estilizada do Mestre de Avis no leito conjugal com Dona Filipa de Lencastre, atarefados a conceber os infantes da ínclita geração.

No entanto, a Inépcia nunca se contenta com meras teorias e está mais uma vez em condições de fornecer a verdade a que o público tem direito. A bandeira dos chineses não é realmente chinesa mas sim marroquina. Trata-se de um projecto secreto do governo marroquino para tirar os castelos da bandeira portuguesa por os considerar ofensivos para os marroquinos e para todos os povos árabes visto que, como se sabe, os castelos representam cidades conquistadas pelo rei Afonso III aos mouros no Algarve. De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, Mohammed Benaissa, “é uma coisa que tinha de ser feita há muito. De cada vez que um marroquino via a bandeira portuguesa sentia um aperto no coração. Os portugueses também não gostariam se a bandeira marroquina representasse a cabeça decapitada do vosso rei Sebastião espetada num pau e coberta de varejeiras, pois não?”

Quanto ao real significado dos substitutos dos castelos, o ministro refere que houve um cuidado especial para escolher algo que representasse a essência do ser português em tudo o que tem de mais genuíno. Trata-se de representações miniaturizadas do popular actor Fernando Mendes completamente nu a contar anedotas deitado num divã, contratado sem olhar a custos pelas autoridades de Rabat que até hoje ainda não conseguiram repor os stocks de costeletas de vitela no país.

Em jeito de serviço público e porque se trata de um assunto estranhamente polémico, a versão oficial da bandeira portuguesa é assim.

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