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Bush explica que não há grande diferença entre terroristas iraquianos e jornalistas italianos

O presidente dos EUA, George W. Bush, respondeu à indignação que tem corrido o mundo depois de militares americanos terem disparado sobre a viatura em que seguia a jornalista italiana, Giuliana Sgrena, explicando que é fácil confundir um jornalista italiano com um terrorista iraquiano e que qualquer pessoa poderia ter feito o mesmo erro.

“Para começar, são palavras parecidas,” explicou, “Eu próprio só percebi que eram diferentes depois de as ler três vezes seguidas. E há outras semelhanças. Muitos jornalistas italianos são inimigos da liberdade e da democracia, excepto os que recebem um cheque mensal da CIA, assim como muitos terroristas iraquianos também se opõem a nós, excepto os que recebem um cheque mensal da CIA.”

Quanto ao abate do agente secreto responsável pela libertação da jornalista, os militares americanos terão avaliado mal a situação, pensando tratar-se de um radical iraquiano, já que os agentes secretos dos filmes de Hollywood nunca têm bigode e cabelo a menos, atribuindo-se as culpas aos serviços secretos italianos pela falta de preocupações estéticas na selecção dos seus operacionais.

De qualquer forma, Washington lamenta o incidente de que resultaram ferimentos na jornalista e a morte do agente e instruiu os seus militares para que não voltem a disparar sobre civis europeus e se limitem aos iraquianos. Para evitar que se volte a repetir esta situação, pede-se aos jornalistas e pessoal não uniformizado ligado a forças de segurança internacionais que passem a trazer sempre consigo um grande cartaz em material fluorescente com a frase “I AM NOT A TERRORIST” e treinem expressões de sinceridade para não se poder pensar que estão a fingir.

Quanto às alegações de que os disparos terão sido intencionais e motivados pelo facto de as chefias militares americanas não verem com bons olhos negociações com terroristas que raptam cidadãos estrangeiros, a secretária de Estado Condoleeza Rice engasgou-se, pediu um copo de água, coçou o nariz de forma insistente e garantiu com voz gaguejante que “nós não íamos fazer uma coisa dessas.”

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