Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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"Campeões Nacionais" étnico acaba mal

Quando a direcção de programas da SIC aprovou a realização de uma série de edições especiais do programa “Campeões Nacionais” com equipas compostas por representantes de várias etnias, estava longe de adivinhar o final desastroso da iniciativa. Para uma pessoa comum, poderá parecer óbvio que uma coisa deste género só podia acabar horrivelmente mal mas não nos podemos esquecer de que a ideia veio das mesmas pessoas que compraram um programa chamado “À Sombra da Bananeira” e que decidiram que se copiassem o formato e até os cenários do programa “The Standup Show” da BBC (mas não a qualidade dos comediantes), lhe chamassem “Levanta-te e Ri” e o apresentassem como fruto original da sua criatividade esclarecida, ninguém ia dar por isso.

O primeiro programa não correu assim tão mal talvez devido à escolha das etnias participantes. Chineses e indianos não prestaram grande atenção às provas, passando o programa inteiro uns a tentar perceber quem tinha pedido o chop suey de frango, o chao mein de gambas, a vaca com molho de ostras e o porta-chaves que brilha no escuro, e os outros a convencer João Baião a comprar um molho de rosas para cada uma das suas co-apresentadoras. O resultado desta primeira edição do “Campeões Nacionais” étnico não foi além do empate a zero.

Os problemas a sério começaram na edição seguinte que opôs ciganos a cabo-verdianos. A primeira prova envolvia uma rampa escorregadia pela qual os concorrentes deviam subir, prova que teve de ser suspensa visto que a rampa desapareceu misteriosamente, aparecendo dias depois à venda em pedaços na feira de Carcavelos com etiquetas da marca Adidas. A este respeito, o líder da equipa cigana garantiu não saber de nada e assegurou que “se a rampa desapareceu deve ter sido por causa desses pretos que aí estão que toda a gente sabe que são uma cambada de ladrões.” Na prova seguinte, o pai de uma das concorrentes da equipa cigana não gostou que um concorrente cabo-verdiano aplicasse uma placagem à sua filha, colocando por acidente a mão onde não devia e tentou estrangular o jovem com gritos de “QUEREM DESGRAÇAR A MINHA FILHA! ACUDAM! ACUDAM! AI QUE EU DOU CABO DELE!” O resto do programa foi um arraial de sopapo, pontapé e facada que só acabou com uma rusga do corpo de intervenção da GNR, aproveitada pelos soldados para treinar para futuras acções de patrulha no Iraque. No entanto, nem a intervenção das forças da ordem conseguiu evitar que um grupo de jovens cabo-verdianos se amontoasse em cima de Marisa Cruz nem que João Baião começasse aos saltos e a dar gritinhos histéricos, o que não foi uma consequência dos acontecimentos mas sim o seu comportamento quotidiano.

Apesar de todos os problemas, a produção decidiu arriscar e realizou mais uma edição do “Campeões Nacionais” étnico, a última, entre portugueses brancos e ucranianos que foi suspensa a meio da primeira prova de cultura geral quando os elementos da equipa ucraniana, professores universitários a trabalhar na construção civil, contestaram a validade da resposta adversária “Santiago do Cacém”, considerada certa pelo júri, à pergunta “Como se chama a capital do Chile?” o que provocou um coro de “vão para a vossa terra, sacanas dos russos” da parte dos portugueses e que acabou em tiroteio depois da intervenção de elementos da máfia de Kiev.

Ao que a Inépcia apurou, estava planeada mais uma edição entre uma equipa de timorenses e outra de Canas de Senhorim mas alguém alertou a produção para o facto de a população de Canas de Senhorim não constituir uma etnia separada do resto dos portugueses e o programa foi cancelado para desgosto dos martirizados canenses.

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