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Canas de Senhorim elevada à condição de “lugarejo sem jeito nenhum”

A vila de Canas de Senhorim será em breve elevada à condição de “lugarejo sem jeito nenhum,” uma classificação criada propositadamente para responder às aspirações de populares daquela freguesia do concelho de Nelas que lutam há vários anos pela restauração do município de Canas, extinto no século XIX.

O diploma de elevação foi aprovado por unanimidade na Assembleia da República e pode ser visto como represália pelas manifestações frequentes e acções de desobediência civil irritantes em defesa de uma causa que parece ser de vida ou de morte para a população local mas que a maioria dos portugueses não consegue compreender visto que, para todos os efeitos, Canas de Senhorim não reúne as condições exigidas pela legislação em vigor para a elevação a concelho. A irritação terá chegado inclusive até ao grupo parlamentar do PSD, partido que manifestou o seu apoio às aspirações canenses.

Recorde-se que chegou a ser aprovado um diploma que alterava os requisitos de elevação a concelho para permitir que freguesias como Canas de Senhorim ou Fátima fossem “promovidas” ao escalão superior da administração local, procurando satisfazer uma promessa eleitoral do PSD, diploma esse que seria vetado por Jorge Sampaio. De então para cá, os canenses têm-se mostrado mais activos do que nunca na contestação, dirigindo os protestos sobretudo para o Presidente da República que responsabilizam pela situação.

Luís Pinheiro, presidente do Movimento de Restauração do Concelho de Canhas de Senhorim (MRCCS) e também presidente da Junta de Freguesia, mostrou-se profundamente desagradado com a classificação de “lugarejo sem jeito nenhum” que considera uma provocação ao “povo mártir de Canas” e promete responder à letra.

Está já marcada uma acção de protesto do MRCCS em que um grupo pequeno activistas fará uma visita guiada ao Palácio de Belém, irrompendo numa sinfonia de traques nauseabundos mal entrem no gabinete do Presidente e que levará meses a disfarçar. Seguir-se-ão uma marcha silenciosa pelas ruas da capital em que os membros do MRCCS desfilarão em pelota como protesto contra aquilo a que chamam “a nudez de princípios da política portuguesa” (com a excepção de dois ou três elementos que gostam de andar nus em público e aproveitam qualquer ocasião); e a entrega de 400 quilos de caroços de azeitona no Tribunal Constitucional.

Colocado perante a possibilidade de o folclore que tem rodeado a elevação de Canas de Senhorim a concelho estar relacionado com a sua vontade de passar de presidente da Junta a presidente da Câmara, Luís Pinheiro afirma que “nem me tinha lembrado disso. Mas agora que me deram a ideia, vou pensar no assunto.”