E-zine satírico sem corantes nem conservantes

Políticos portugueses incomodados por questões sobre interesse repentino pelos casamentos homossexuais

A discussão em torno da possibilidade de permitir casamentos entre indivíduos do mesmo sexo tem marcado o debate político na campanha eleitoral de um modo que só poderá ser descrito como inesperado. De um momento para o outro, os candidatos dos vários partidos esgrimem argumentos a favor e contra os casamentos homossexuais, havendo ainda os que não são a favor mas também não são contra porque todos os votos contam e não é preciso gostar de pessoas do sexo oposto para ter cartão de eleitor.

Para tentar perceber a pertinência da questão, a Inépcia foi para a rua questionar os vários partidos, tentando obter uma explicação. Como as únicas pessoas que encontrámos na rua foram um sem-abrigo em adiantado estado de alcoolização, uma equipa de funcionários da recolha do lixo e o porta-voz do Partido Ecologista “Os Verdes”, resolvemos tentar o contacto de outra forma.
Para o CDS-PP, o partido mais conservador com representação parlamentar, a orientação sexual é uma questão da esfera privada de cada um mas “os casamentos devem continuar a ser um exclusivo das relações heterossexuais até porque Nosso Senhor não gosta de badalhoquices,” de acordo com um deputado que pediu o anonimato, a quem chamam Vanda na sede do partido, e que se recusou a tecer mais comentários.

Para Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, “o Partido Comunista continuará a defender os direitos dos trabalhadores como sempre tem feito mas, como toda a gente sabe, não há maricas no proletariado porque os trabalhadores não têm tempo para essas coisas de sexo, o que explica o envelhecimento dos nossos militantes.”

Francisco Louçã do Bloco de Esquerda, partido que já habituou os portugueses a posições polémicas sobre assuntos delicados, considera positiva uma discussão em torno do direito dos homossexuais ao casamento mas manifestou-se contra o “achincalhamento do assunto com objectivos unicamente eleitoralistas.” O candidato bloquista afirmou ainda que “os assuntos relacionados com a homossexualidade deverão ser discutidos nas esferas próprias como o bar-sauna ‘O Pavão Maroto,’ a Companhia Nacional de Bailado ou o Teatro Politeama.”

Na opinião do líder do PSD e ainda, aparentemente, primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, “não tenho nada a ver com essas coisas. Cada qual sabe de si e eu até nunca estive para aí virado.” Confrontado com o facto de ter sido o primeiro a referir o assunto, queixou-se de “perseguição” e acrescentou que “se os portugueses querem ter um primeiro-ministro com comportamentos aberrantes em vez de um homem normal estão no seu direito. Mas depois não se queixem quando os nossos filhos começarem a vir da escola a dizer que querem ser costureiros quando forem grandes.”

A Inépcia tentou contactar também o secretário-geral do PS, José Sócrates, mas fomos informados por um comunicado oficial do partido de que o líder socialista se encontrava em reunião à porta fechada com oito hospedeiras da Lufthansa e que, de vez em quando, se ouviam gemidos vindos do gabinete. Num segundo comunicado, referia-se ainda que todas as hospedeiras são do sexo feminino e que há ginecologistas conceituados que o podem provar.