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José Sócrates tão certo da vitória que promete comer António Vitorino se não vencer

O secretário-geral do Partido Socialista, José Sócrates, mostra-se confiante numa vitória do seu partido nas próximas eleições legislativas. Essa confiança vai ao ponto de ter afirmado perante a comunicação social que, se o PS não vencer, irá comer o colega de partido e ex-comissário europeu, António Vitorino.
“Veja, os portugueses estão cansados da governação do PSD e do CDS. As pessoas estão saturadas e é normal que depositem a sua confiança no maior partido da oposição,” afirma, “Não se trata de arrogância de convicção. E veja, as sondagens valem o que valem mas têm confirmado o nosso optimismo.”

António Vitorino partilha o optimismo de Sócrates e garante que é a convicção de que os socialistas voltarão ao governo que não o faz temer pela sua integridade física, acrescentando no entanto que “sempre me dediquei de corpo e alma ao partido e, se tiver de ser comido por um dos meus camaradas, não tenho qualquer problema em sacrificar-me em prol do país e até sugiro que comecem pelas coxas que é a minha parte mais tenra e que evitem a nuca e a pele da careca que devem ser muito difíceis de mastigar curtidas como estão daquele ar poluído de Bruxelas.”

Não é a primeira vez que um político promete comer outro. Em 1986, Mário Soares prometeu comer o ex-colega de partido e candidato concorrente, Salgado Zenha, se não vencesse as eleições presidenciais, promessa que voltou a repetir cinco anos mais tarde mas com Basílio Horta como pitéu potencial. Recuando mais no tempo, em 1899, o marquês de Cedofeita, deputado das Cortes, comeu um colega depois de ter perdido uma aposta, mantendo-se este até hoje como o único caso de canibalismo concretizado na história da política portuguesa.

No entanto, a moda do canibalismo parece ter pegado, e deverá estar para breve o anúncio da intenção de Santana Lopes de comer Paulo Portas se o PSD e o CDS juntos não obtiverem mais votos do que o PS, promessa que tem a particularidade de ter partido de Paulo Portas, ou a promessa de Manuel Monteiro de comer um peru bêbado.

Na eventualidade de o PS não vencer as eleições, António Vitorino será servido num ensopado com receita tradicional da Beira Alta com as sobras a serem usadas para fazer sandes e saladas servidas aos militantes no congresso de reflexão pós-eleitoral.