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Redução de férias judiciais coloca em risco colónias de férias para magistrados

A anunciada redução das férias judiciais de Verão de dois para um mês poderá pôr em risco a subsistência das inúmeras colónias de férias para magistrados que existem por todo o país. Existem actualmente cerca de duas dezenas de colónias de férias deste tipo em áreas tão distintas como o litoral alentejano ou o interior beirão, dando emprego a várias centenas de trabalhadores.

"A intenção do governo era muito nobre," considera João Balancé de Sousa, presidente da Associação Sindical das Colónias de Férias para Magistrados (ASCFM), "mas o resultado para os profissionais deste sector será desastroso. Está muito bem que os magistrados só tenham um mês de férias como o resto dos trabalhadores mas como é que vamos alimentar as nossas famílias?"
Até aqui, os magistrados podiam passar dois meses inteiros no Verão a descontrair em actividades lúdicas orientadas por profissionais qualificados que garantiam o máximo de diversão em total segurança. Com a redução das férias, isso já não será possível para todos os magistrados visto que um mês de férias mal dá para aprender a andar a cavalo.

Uma das colónias de férias mais bem sucedidas do país é a "Judicialândia" nos arredores de Peniche. Nos terrenos de um aldeamento turístico que nunca foi concluído porque o empreiteiro responsável fugiu para o Brasil em 1974, Aguinaldo Ribeiro e a família instalaram um refúgio com todos os elementos de que qualquer magistrado precisará para passar umas férias em grande.

Desde piscinas com escorrega, quintinha de animais domésticos (os coelhos são os preferidos dos juizes desembargadores), área para desportos radicais, circuito hípico até um atelier de trabalhos manuais em que cada juiz poderá fazer a sua própria toga (beca) com materiais improvisados. Outra actividade muito popular na "Judicialândia" é a fogueira nocturna em torno da qual se reúnem os convivas e passam um serão divertido, trocando anedotas pitorescas relativas a pormenores de processos célebres em segredo de justiça.

A ASCFM agendou para breve uma concentração à porta da residência oficial do primeiro-ministro no Palácio de São Bento para chamar a atenção para a sua situação e promete não baixar os braços enquanto a sua subsistência não for garantida.

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