E-zine satírico sem corantes nem conservantes

Cultura

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Reinaldo Teles aceita assumir autoria de “Corrupção”

O vice-presidente e administrador da SAD do FC Porto será o realizador oficial do polémico filme “Corrupção”, inspirado no livro de Carolina Salgado, depois de João Botelho, o realizador efectivo, ter renegado a obra por não concordar com alterações feitas sem o seu consentimento. Poderá estranhar-se que o braço-direito de Pinto da Costa aceite dar o nome por um filme que supostamente melindraria o seu mentor, mas o resultado final é tão ridículo que o efeito será precisamente o oposto. No entanto, nem assim será levantada a oposição da Associação Portuguesa de Realizadores que se mobilizou contra a exibição comercial de um filme sem realizador, mesmo que entre os seus membros se contem responsáveis por filmes com ficha técnica completa sem que isso tenha feito grande diferença. Inabalável parece ser o valor da prestação dos protagonistas, Nicolau Breyner e Margarida Vilanova, jovem actriz que admitiu ter como objectivo despir-se em todas as produções audiovisuais portuguesas. “A exibição da nudez é um dos sacrifícios que um actor pode fazer à sua arte e, como eu não tenho mais nada para oferecer, quem dá o que tem a mais não será obrigado,” explicou, acrescentando que não descansará enquanto houver no país homem, mulher, criança ou animal doméstico que não saiba descrever de memória os seus mamilos. O novo realizador não fará grandes alterações à versão final, mas o título passará a ser “Mamas, Cus e Futebol” e a banda sonora será composta exclusivamente pelo “Bacalhau à Portuguesa” de Quim Barreiros. 1/11/07

Agosto particularmente chato força site satírico a cair no humor auto-referencial

O flagelo da falta de assunto volta a atacar. Sem saber como lidar com um mês de Agosto que teve tanto de nublado como de enfadonho, a Inépcia, um dos mais conceituados sites satíricos do seu bairro, volta a enveredar pelo caminho perigoso e sem retorno do humor auto-referencial. E nem sequer é a primeira vez. Quem o diz é Sebastian Hurtado, colombiano, 42 anos, refugiado das guerras de cartéis, um dos 70 autores que procuraram asilo no nosso país e acabaram recrutados como mão-de-obra escrava, usando o pseudónimo colectivo “Renato Carreira.” “A situação está muito difícil,” refere. “Podíamos fazer qualquer coisa sobre os incêndios na Grécia, sobre a criança inglesa desaparecida ou sobre vetos presidenciais, mas saberia sempre a requentado. A piadinha auto-referencial é sempre uma solução desesperada.” A mesma opinião é partilhada por outro autor, Yussef Ali, sudanês, 26 anos, refugiado de Darfur. “Até tínhamos uma ideia brilhante que enfiava no mesmo texto referências a Joe Berardo, Paulo Portas e Catarina Furtado, numa situação burlesca alusiva à presidência da União Europeia e à situação no Iraque, mas, infelizmente, tivemos uma fuga de informação e a ideia foi roubada pela única publicação que nos faz concorrência nesta área, a Dica da Semana dos supermercados LIDL,” explica. Quanto a uma possível solução, Wolfang Schulz, austro-húngaro, 117 anos, refugiado da I Guerra Mundial, confidencia que “basta esperar que venham tempos mais animados.”

Insulto ouvido no Bolhão deixa LaFéria em coma

O popular encenador encontra-se internado no Hospital de São João no Porto depois de ter ouvido um insulto implacável durante visita ao Mercado do Bolhão que o deixou em estado de coma. LaFéria encontra-se no Porto devido à sua versão de Jesus Cristo Superstar, musical de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber em cena no Teatro Rivoli. De acordo com o seu porta-voz, que se apresentou apenas como “um rapazola efeminado”, o encenador foi ao mercado para sentir melhor o lendário temperamento caloroso portuense e foi então que aconteceu. “Estávamos a passar por uma banca de enchidos,” explicou o larilas, “quando uma das vendedoras se dirigiu ao Filipe, endereçando-lhe o insulto mais ofensivo que já ouvi em toda a minha vida e olhem que ouvi uns quantos.” Testemunhas que presenciaram o incidente referem o insulto de forma vaga, tal foi o choque provocado, mas, ao que parece, foi um misto de referências sexuais escabrosas, alusões ao processo digestivo e comentários depreciativos acerca do talento do encenador, da qualidade do seu trabalho e da sua honestidade intelectual ao limitar-se a fazer adaptações em série de ideias alheias. O estado de saúde de LaFéria tem evoluído favoravelmente e prevê-se que saia do coma em breve, podendo continuar a trabalhar no seu próximo projecto, um musical baseado na bronquite asmática.

Luís Represas grava versão de “Ai Timor” com ais a sério

O antigo vocalista dos Trovante quis revitalizar um dos seus maiores êxitos, o hino dos activistas pela independência timorense, voltando ao estúdio e gravando uma nova versão com a mesma melodia e letra mas com os “Ai Timor” do refrão substituídos por gritos de dor reais captados nos conflitos recentes em Timor-Leste. De acordo com o autor, “é a escrever hinos que me sinto realizado e, como já não apareço há muito tempo, resolvi voltar à carga, não só com o ‘Ai Timor’ mas também com uma versão da Marselhesa alusiva ao flagelo da SIDA que fará parte do meu próximo trabalho.” Os lucros do single “Ai Timor 2” serão divididos entre a Fundação Gil, baptizada com o nome de João Gil, outro membro dos Trovante, e administrada pela esposa do cantor, Santa Margarida Pinto Correia, e um fundo para a compra de catanas almofadadas para que os timorenses se possam dedicar ao fratricídio sem se aleijarem muito. Ainda não há data marcada para o esperado combate na lama entre Luís Represas, Rui Reininho e Rui Veloso que decidirá, de uma vez por todas, quem é a eminência parda mais significativa da música ligeira nacional.

Excesso de oferta de pornografia caseira de celebridades faz cair preços

O mercado da pornografia caseira de celebridades, durante tantos anos alicerçado apenas na produção de Tomás Taveira, conheceu um impulso nos últimos tempos mas corre o risco de implodir. Tudo começou com a divulgação de um vídeo caseiro protagonizado por Elsa Raposo e por Mário Esteves, um dos 472 “verdadeiros amores da sua vida” que teve no ano que findou. O trabalho tem merecido críticas muito positivas da parte da imprensa especializada (o jornal Sexus atribuiu-lhe quatro testículos dourados em cinco possíveis) mas o exemplo pioneiro de Elsa desencadeou um surto de lançamentos similares com consequências económicas desastrosas. A prová-lo está o facto de o preço inicialmente pedido para ver a antiga modelo a dizer coisas sensuais e melodiosas como “Consome-me!” rondar os 250 mil euros, tendo baixado ao longo dos últimos dias até aos actuais 4 euros e 75 cêntimos, prevendo-se para breve a oferta de uma cópia na compra de uma dúzia de ovos nos hipermercados Continente. Entre os inúmeros lançamentos de pornografia caseira supostamente privada feitos por celebridades, merecem destaque o tórrido vídeo de Teresa Guilherme (que já levou muitos dos que o viram a perder todo o apetite sexual para os próximos dez anos), os dois dvds de uma relação carnal entre Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães (em que não há realmente sexo mas aproveitam-se umas fascinantes sugestões literárias e de decoração do lar) e o vídeo a solo de Luciana Abreu intitulado “Floribella brinca com a sua fadinha íntima enquanto pensa em flores, borboletas e coisas coloridas” feito a pensar na pequenada. De louvar também a originalidade de “José Castelo Branco e Betty Grafstein XXX” com dois discos separados, um contendo imagens de José em intensa actividade e outro, filmado noutro local, com uma “Lady Betty” em êxtase, batendo palminhas e rindo muito enquanto vê os Teletubbies na televisão e tem conversas imaginárias com o falecido Príncipe Rainier do Mónaco.

Para evitar acusações de plágio, próximo livro de Miguel Sousa Tavares será escrito em língua inventada pelo autor

O novo livro de Miguel Sousa Tavares será imune às acusações de plágio que têm rodeado o best-seller “Equador” por conter parágrafos reescritos de um livro alheio citado na bibliografia (o que não é plágio, é só muito feio). Quem o garante é o próprio autor, visto que o novo trabalho está a ser escrito numa língua fictícia inventada propositadamente para o efeito. Tendo como título “Blhac Nitratna Plofplof”, trata-se de uma apaixonante história sobre Xpneque, um jornalista veterano desiludido com a profissão e com o país em que vive (a República Tramblhablhesa), ocupando-se com crónicas publicadas no semanário “Bababum” e com os comentários semanais no canal WPK. Ao longo de 847 páginas de grande prosa escrita no “estilo único e inimitável” do autor (palavras do próprio), o protagonista vai casando e descasando com figuras mediáticas, alternando momentos de grande lucidez com outros de fanatismo furioso, sobretudo quando colocam em causa os seus gostos pessoais pelos 40 maços de “barluncas” que “mofifa” por dia ou a devoção cega ao seu clube do coração, o FC Trambik. Quanto às acusações de plágio, Miguel Sousa Tavares prefere não falar mais no assunto por não lhe dar importância. Recorde-se que o autor estará presente no Pavilhão Carlos Lopes para desancar à paulada quem duvidar da sua integridade, juntamente com todos os não-fumadores e adeptos do Benfica e Sporting que se apresentem à sua frente. A organização pede aos interessados para trazerem os seus próprios varapaus de casa.

Rejeição do evolucionismo pela Igreja depende de uma explicação teológica para a criação divina de Cláudio Ramos

A Igreja Católica prepara-se para oficializar a oposição à teoria da evolução das espécies, abrindo caminho ao pressuposto de que a criação divina do mundo e de todos os seres vivos deve ser levada à letra. O único elemento que impede que tal aconteça de imediato é a necessidade de explicar as razões que terão levado Deus a criar Cláudio Ramos. O líder da equipa de teólogos que estuda o assunto, cardeal Angelo Benisotto, professor de Teologia na Universidade Pontifícia Salesiana e seleccionador de futebol feminino do Vaticano, considera que “não será fácil porque, como se sabe, os caminhos de Deus são misteriosos.” Para já, a explicação mais plausível para a criação divina de alguém com mau feitio, gosto pelo mexerico, sem sentido de humor e com a personalidade de um grilo comatoso, cujo único objectivo na vida parece ser tornar-se célebre apesar de não ter qualquer talento visível, é um sentido de humor retorcido do Criador (o que explicaria também a criação do ornitorrinco e do herpes labial). O Vaticano pretende anunciar ainda que, afinal, Galileu estava errado e todo o cosmos se move, não em torno da Terra, mas do único testículo de Bento XVI (o outro perdeu-se numa praxe cruel da Juventude Hitleriana).

IPPAR autoriza abertura do crânio de Santana Lopes

Para compensar o erro burocrático que impediu a abertura do túmulo de D. Afonso Henriques, o IPPAR autorizou uma equipa de cientistas amadores a abrir o crânio de Pedro Santana Lopes. Poderá causar surpresa a tutela do IPPAR mas tal explica-se pelas arrojadas linhas de estilo neo-bacoco que fazem do crânio parte importante do nosso património arquitectónico. A equipa de cientistas é chefiada por um padeiro de Aljustrel que define os seus objectivos como sendo sobretudo sádicos mas com laivos de ciência legítima. “Queremos confirmar se o conteúdo corresponde ao que imaginamos: números de telefone de quarentonas da classe alta e o esboço do livro de memórias abandonado: Como Eu Mudei Portugal,” explica. Está tudo preparado para a abertura do crânio, pensando-se a posteriori na melhor maneira de o voltar a fechar.

Margarida Rebelo Pinto disposta a aceitar Prémio Camões

A escritora Margarida Rebelo Pinto mostrou-se disponível para aceitar os 100 mil euros do Prémio Camões recusados pelo angolano Luandino Vieira, explicando que o faz porque “desde que o Bernardo me abandonou para iniciar uma relação a quatro com o Martim, a Verónica e o perdigueiro dela” que sabe muito bem quanto custa a rejeição. O dinheiro, dividido em duas partes iguais, será usado para oficializar a devoção literária a Margarida como religião organizada e para pagar o despejo diário durante vinte anos de uma tonelada de estrume à porta de João Pedro George, autor de “Couves e Alforrecas-Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto.” A autora aproveitou ainda para manifestar a sua admiração por Agustina Bessa-Luís, um dos membros do júri, esperando ter igual lucidez e produtividade “quando for velha, gorda e feia.”

Indústria fonográfica avisa que MP3 transmitem doenças

A batalha contra a pirataria musical conhece novos desenvolvimentos com a revelação alarmante de que os ficheiros MP3 são portadores de inúmeras doenças facilmente transmissíveis a quem com eles contactar. Esta revelação vem no seguimento da notícia amplamente divulgada que alertava todos os que recorrem ao download ilegal de música para a possibilidade de serem investigados pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica e receberem em casa uma carta solicitando o pagamento de multas até 5000 euros, notícia essa que ensinou aos portugueses que: 1-A Indústria fonográfica é uma instituição policial reconhecida em Portugal e autorizada a conduzir investigações e passar multas; e 2-O download de mp3 é punido com o dobro da multa máxima por conduzir alcoolizado. Segundo Edward Teach, representante em Portugal dos cruzados internacionais contra a pirataria, "os MP3 podem transmitir doenças como a SIDA, a gripe das aves, a lepra, a peste bubónica ou o ébola bem como maleitas menores como a impotência, a calvície, a frigidez, a celulite e a tendência obsessiva para ouvir música dos Delfins e dos Santos e Pecadores."

Margarida Rebelo Pinto prepara versão limpa de repetições e erros do último romance: Panfleto estará à venda em Junho

A popular romancista Margarida Rebelo Pinto, vencedora do Prémio Camões em 2003 na categoria “Livros que se podem ler na banheira e que não perdem muito se os deixarmos cair dentro de água e borrarmos as letras todas,” anunciou estar a preparar uma reedição do seu último romance como resposta à publicação de um livro que critica o seu trabalho de forma muito pouco elogiosa. “Contrariamente ao que muita gente possa pensar,” explica a autora, “não sou completamente indiferente à crítica.” A nova edição de “Pessoas Como Nós” foi limpa de todas as repetições, citações e pedaços de má prosa e o resultado foi um magnífico panfleto de 6 páginas que estará à venda já em Junho. Para além da revisão, houve também um esforço para conferir maior profundidade às personagens que deixaram de ser completamente banais e passam a ser apenas vagamente inócuas.

Parceria entre a revista Cais e a Playboy pode acabar com mendicidade em Portugal

A associação de solidariedade “Cais”, responsável pela publicação da revista com o mesmo nome destinada a ajudar sem-abrigo com a receita das vendas acaba de assinar um protocolo com a famosa revista erótica americana “Playboy.” Na sequência da parceria agora firmada, a “Cais” passa a publicar conteúdos da Playboy, nomeadamente material fotográfico de índole anatómico-educativa. Espera-se assim que a revista deixe de ser comprada quase exclusivamente por motivos caritativos, como sucedia até agora, e passe a existir uma procura efectiva e uma fidelização de leitores. O protocolo foi assinado por João Manuel Coitadinho da associação “Cais” e por Candy Johnson, Miss Agosto 2003 em representação da revista fundada por Hugh Heffner, com a particularidade de as assinaturas terem sido substituídas por impressões mamárias das duas partes. Contactado telefonicamente pela Inépcia, o padre Albano da Congregação dos Missionários do Sagrado Pirilau e presidente da Associação Portuguesa de Almas Caridosas (APAC) referiu que a caridade não é compatível com a exposição gratuita da nudez humana e perguntou com voz ofegante o que tínhamos vestido.

Livro de Abbé Pierre atribuído a Marilyn Manson

O livro de Abbé Pierre, fundador do movimento Emaús e carismática figura católica francesa, no qual admite ter tido relações sexuais com mulheres enquanto sacerdote e defende o fim do celibato obrigatório dos padres, bem como a legitimidade das relações entre pessoas do mesmo sexo e da adopção por casais homossexuais, terá afinal sido escrito pelo controverso cantor americano Marilyn Manson. A franqueza e abertura de espírito reveladas no livro levaram os analistas a desconfiar da alegada autoria de “Meu Deus… porquê?” por se tratar de qualidades quase inexistentes na Igreja Católica moderna. A autoria de Manson, eleito bode expiatório preferido da América e do mundo, foi detectada não por haver provas concretas mas porque o cantor já há muito tempo não era responsabilizado por nada. Contactado na masmorra onde se diverte a arrancar braços a crianças de tenra idade, Marilyn Manson não confirmou mas também não desmentiu, ocupado que estava a polir uma lente de contacto.

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