E-zine satírico sem corantes nem conservantes

Desculpas inventadas à pressão para livrar jovens mancebos da tropa

O serviço militar obrigatório (SMO para os amigos) já não existe. E deixa saudades. Com ele, desapareceram também as célebres provas de classificação e selecção, a "inspecção," em que os jovens candidatos a recrutas eram criteriosamente avaliados para saber quem poderia dar o melhor contributo à defesa da pátria, tendo um número razoável de testículos. Ninguém mais será forçado a noites de saudável rastejar na lama ou a momentos hilários na parada, tentando manter um ar sério para o oficial de dia e contendo o riso, ao mesmo tempo que se tenta adivinhar qual dos camaradas soltou aquele flato pestilento. Deixaram também de fazer sentido os esforços de mancebos que, todos os anos, escreviam verdadeiras pérolas literárias às chefias militares para conseguirem escapar à incorporação. Numa homenagem a todos os mancebos do passado e para mostrar aos jovens de agora e às gerações futuras o que perdem, a Inépcia publica uma compilação de algumas das melhores desculpas para conseguir escapar à tropa.


"Exmo sr, vimos por este meio solicitar a dispensa do nosso filho Joel do cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, visto que este se vai casar no mês que vem com um amigo de infância de nome António, numa cerimónia a realizar em Estocolmo, visto que a lei do nosso país ainda não autoriza os casamentos homossexuais. Estamos muito orgulhosos e felizes pelo nosso menino e aproveitamos, desde já, para convidar sua excelência para o copo de água a realizar após o casamento no restaurante do Centro de Convívio Cultural e Desportivo de Manteigas."


"Exmo sr, o meu nome é Carlos Sampaio, tenho 20 anos e fui convocado para apresentação no Quartel de Santarém no próximo dia 14 para início do cumprimento do Serviço Militar Obrigatório. Lamento informar que tal não será possível, pois encontro-me presentemente a exercer as funções de Presidente da República do estado insular de Kiribati, no Oceano Pacífico. Mal acabe o meu mandato, irei, imediatamente para Santarém para cumprir com as minhas obrigações militares. Aguardo resposta."


"Exmo sr., lamento informar que não poderei cumprir o Serviço Militar Obrigatório porque sou um espião extraterrestre do planeta Zkylon, galáxia de Moombatha VIII, enviado à Terra para avaliar qual a capacidade de resistência dos terrestres a uma possível invasão. Como é óbvio, se fizesse parte de um dos vossos exércitos, ficaria a par de quase todos os pormenores e isso não seria muito justo. Sou um desportista e gosto de dar hipótese aos meus adversários."


"Exmo sr., fui convocado para cumprir o Serviço Militar Obrigatório, o que muito me apraz. Escrevo-lhe esta carta para comunicar que sou analfabeto e ouvi que as Forças Armadas não querem analfabetos nas suas fileiras. Aguardo resposta."


"Exmo sr., lamento informar que não poderei cumprir o Serviço Militar Obrigatório pois sou completamente louco. Atenciosamente, AAAAAAAAAAARGGGHHH!!!! DEIXEM-ME EM PAZ, LOMBRIGAS MUTANTES DUM RAIO!"


"Exmo sr., li, recentemente, num Edital afixado na Junta de Freguesia de Corroios que estou convocado para cumprimento do Serviço Militar Obrigatório. Terei todo o gosto em apresentar-me na data e hora combinadas se puderem facultar-me um meio de transporte. Um simples autocarro será mais do que suficiente pois não estou habituado a luxos. Abaixo, segue a minha morada.

Jaime Matos

Rua Heróis do Ultramar, 14-B

4731 Port Moresby

Papua-Nova Guiné"


"Exmo sr., é com profundo pesar que comunico a minha indisponibilidade para o cumprimento do Serviço Militar Obrigatório visto que faleci há três meses e encontro-me em adiantado estado de decomposição. Creio que a minha companhia não seria apreciada pelos meus camaradas."


E, agora, uma das melhores desculpas. Simples, directa e quase eficaz:

"Exmo sr., venho por este meio transmitir-lhe que não poderei cumprir o Serviço Militar Obrigatório porque não me apetece e porque tenho mais que fazer. Obrigado."

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