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Santana Lopes exige que Carmona Rodrigues lhe devolva a Câmara de Lisboa

O ainda primeiro-ministro e presidente do clube dos amigos do porteiro da Kapital, Pedro Santana Lopes, considera que o presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, deverá demitir-se, restituindo-lhe o lugar de que se demitiu para assumir a chefia do governo e no qual foi substituído pelo então ministro das Obras Públicas.

A declaração não foi feita na qualidade de primeiro-ministro, visto que comentários deste teor não são compatíveis com o exercício de funções de Estado. Como tal, Santana Lopes convidou um grupo selecto de jornalistas para uma informal mija num urinol público perto do palácio de São Bento onde deu a conhecer a sua posição na matéria.

No entanto, o seu substituto na autarquia da capital considera que não faz sentido falar em devolução do cargo e recusa ceder o lugar a Santana Lopes, o que poderá constituir mais um motivo de discórdia no seio do PSD.

Um dos motivos apresentados pelo primeiro-ministro é o facto de considerar ter deixado tarefas a meio e ter sentido algum remorso quando se viu forçado a abandonar Lisboa em prol do bem geral do país. Algumas dessas tarefas estarão relacionadas com o polémico túnel do Marquês, a reabilitação do Parque Mayer e as novas instalações da Feira Popular, ideias de Santana Lopes que não correram bem e com as quais Carmona Rodrigues se viu forçado a lidar.

Para Santana, “a responsabilidade pelo problema do túnel do Marquês é inteiramente minha e é por isso que devo ser eu a resolvê-lo para ver se deixo de ser o imbecil irresponsável que sou.”
Carmona Rodrigues contrapõe que “mais imbecil e irresponsável sou eu porque era o ministro das Obras Públicas e não disse nada quando começaram a abrir o atoleiro do Marquês,” acrescentando que “e se repararem bem, a única coisa que fiz desde que assumi este cargo foi continuar a espalhar cartazes, gabando-me de obras que ainda nem começaram a ser feitas nem começarão tão cedo. E a ideia nem sequer é original.”

A questão promete complicar-se ainda mais, com a revelação por Carmona Rodrigues de que Santana Lopes poderá não ser tão incompetente como parece, que fontes próximas do primeiro-ministro consideram não passar de uma calúnia contra o bom nome de “um homem que deu muito pouco ao município mais importante do país e quer ter a oportunidade de dar um bocadinho mais.” Para resolver a situação, já se fala em submeter o actual autarca e o anterior a referendo para decidir qual o incapaz mais adequado para gerir os destinos de Lisboa.