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Quem casa quer caso

Dicas para um feliz e moderno matrimónio

É um facto inegável que o casamento enquanto ponto central da estrutura familiar das sociedades ocidentais está longe de ter a solidez de outros tempos. O bulício da vida moderna, o esbater dos papéis tradicionais dos sexos e outros factores variados volatilizaram a velha fórmula “até que a morte vos separe” e transformaram o casamento numa mera experiência social de estatuto igual ao de tantas outras e perfeitamente reversível.
Esta tendência pode e deve ser invertida sob pena de os únicos interessados em casar na sociedade em que vivemos passem a ser os homossexuais e as namoradas jovens de bilionários às portas da morte. Há um conjunto de dicas que, seguidas a preceito e sem dificuldades de maior, poderão ajudar a tornar qualquer casamento, por mais fragilizado que esteja, numa união exemplar.

-A felicidade do casal começa na intimidade do quarto. Com isto em mente, é melhor abandonar por inteiro a prática sexual e substituí-la por actividades menos passíveis de provocar desilusões ou insatisfações de vária ordem. Jogos de cartas, por exemplo. Filatelia a dois. Karaoke. Há um mundo de possibilidades à escolha.

-Muitas vezes, os problemas conjugais resultam de influências alheias ao casal, da parte de familiares de um ou outro dos esposos (ou de ambos). O némesis mais comum dos casamentos falhados é a tradicional sogra, a mãe do legítimo ou da legítima que parece determinada em recuperar o seu bebé. Para evitar este perigo, recomenda-se o casamento com órfãos ou, em alternativa, o homicídio prévio dos familiares mais próximos do cônjuge.

-Outro elemento que pode fragilizar o casamento são os filhos. Está provado que são eles o factor que gera mais discussões no casal, quer seja devido a discordâncias relativas ao modo mais conveniente de os educar ou a diferentes interpretações e posturas perante os problemas comportamentais típicos da infância e adolescência. Não quer ver o seu casamento arruinado por obra de uma criança histérica ou de um adolescente borbulhento e não prescinde de ter filhos? O problema tem solução. Adopte crianças com idade superior a 20 anos. Mas esconda os objectos de valor e mantenha vigilância apertada durante o primeiro ano. Não vá o Diabo tecê-las.

- A violência doméstica é um grande mal. Chega uma altura em todos os casamentos em que o objecto de afeição começa a parecer execrável e odioso. E só apetece bater-lhe. E alguns até o fazem. A conjunção de arrependimento e hematomas, multiplicada pela vontade de repetir a experiência, destrói muitos casamentos. Recomenda-se aos casais que se dediquem à prática conjunta de desportos de combate com frequência semanal (no mínimo). Boxe, artes marciais ou até o tão português jogo do pau. Qualquer coisa que sirva para descarregar a agressividade e prevenir males maiores.

-Está provado que usar a roupa interior do cônjuge sem o seu conhecimento e aprovação prévios pode criar mal-entendidos sérios. Se o transformismo é para si algo fundamental, compre a sua própria roupa. E alguns acessórios também. Mas, se pretende sair à rua assim vestido, é melhor partilhar essa faceta da sua personalidade com a parceira ou parceiro com alguma antecedência.

-Gosta de cães e a sua esposa ou esposo prefere os gatos? Isso não augura nada de bom. É costume dizer-se que a predilecção por canídeos ou felinos está relacionada com diferenças de personalidade incontornáveis e é melhor cada qual procurar relacionar-se com quem partilhe as suas preferências em termos de animais de estimação. Se já for tarde demais e não conseguir reverter a afeição quando descobre a divergência, é possível chegar a um meio-termo. Optem antes pela adopção de um crocodilo ou de uma avestruz.

-E, finalmente, a infidelidade. Apesar do que se possa pensar, a infidelidade não é o factor mais responsável pelo fim dos casamentos. É perfeitamente possível um dos elementos do casal ter relacionamentos íntimos com um ou mais parceiros extraconjugais, mantendo-se os laços matrimoniais perfeitamente estáveis. A descoberta da infidelidade pelo cônjuge, isso sim, é problemática. Por isso, lembre-se, sempre que for infiel, certifique-se de que o seu marido ou mulher não descobrirá e tudo correrá bem. Afinal de contas, nada lhe garante que ele/ela não esteja a fazer exactamente o mesmo.

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