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Erro informático atribui vitória a Diogo Infante no círculo eleitoral de Castelo Branco

Um erro informático no sistema de contagem de votos atribuiu a vitória no círculo eleitoral de Castelo Branco ao popular actor Diogo Infante que, como é sabido, abandonou a política activa em 1958 quando o general Humberto Delgado lhe chamou canastrão e não fazia parte das listas de qualquer dos partidos que disputaram as eleições no distrito em questão.

Curiosamente, quando os resultados foram divulgados, o Partido Socialista não fez qualquer contestação por motivos desconhecidos e continua a não haver socialistas disponíveis para comentar o assunto de forma oficial. O erro foi detectado quando a Comissão Nacional de Eleições começou a receber chamadas de residentes no distrito de Castelo Branco, queixando-se de que não queriam que a sua região fosse vista como antro de gente de mau gosto e que ninguém em seu perfeito juízo escolheria Diogo Infante para fazer de cadáver figurante tapado com um lençol num documentário sobre medicina legal e muito menos para deputado.

A CNE apressou-se a repor a verdade, declarando o candidato socialista, José Sócrates, como vencedor e pedindo desculpas pelo mal-entendido mas não conseguiu evitar um certo mal-estar que estas situações sempre provocam. Conforme é exigido pelos regulamentos, foi aberto um inquérito para apurar responsabilidades na matéria e encontrar uma explicação plausível que poderá passar por vários factores desde uma conjunção astral errónea, sabotagem levada a cabo por pequenos diabretes esverdeados que vivem na cave da sede da CNE ou por uma coincidência espantosa.

Até agora, não foi explicado como pode ter existido confusão entre duas personalidades públicas sem qualquer tipo de relação entre si. José Sócrates recusou-se a comentar um assunto que classificou como “banalidade” e, quando questionado sobre se nos poderia facultar o contacto telefónico de Diogo Infante para tentarmos obter um comentário, teve um ataque repentino de tosse e desligou-nos o telefone na cara numa atitude imprópria de um primeiro-ministro indigitado.

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