Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Secretário de Estado esquece-se de declarar esquizofrenia

Alípio Mascarenhas, secretário de Estado da Animação de Rua, admitiu em conferência de imprensa realizada num palanque improvisado na Rua Augusta em Lisboa, e precedida por espectáculo de fantoches, que sofre de esquizofrenia e que se esqueceu de declarar esse facto quando foi convidado para integrar o governo de Durão Barroso.

Esta revelação surge na sequência de um outro esquecimento que abalou recentemente o que resta da credibilidade do governo da coligação PSD-CDS, os milhares de euros que a ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, se esqueceu de declarar ao IRS. Depois de a ministra vir a público assumir o erro e garantir que se tratou de um esquecimento inocente já corrigido de forma inteiramente voluntária, o primeiro-ministro pediu a todos os membros do executivo que fizessem um esforço para recordar quaisquer pormenores embaraçosos do seu passado que pudessem ser usados em manchetes sensacionalistas e os assumissem em público. A única excepção disse respeito ao ministro Paulo Portas, cuja vida tem sido de tal modo rica em pormenores escabrosos que daria matéria suficiente para uma obra literária em vários volumes.
Mascarenhas foi o primeiro a vir a público, dando a cara por mais um esquecimento e garantindo que não houve qualquer intenção maldosa da sua parte. “É verdade que sofro de esquizofrenia mas com a medicação que me foi receitada, consegui controlar a doença sem problemas de maior para além de passar horas à conversa com o meu avô que morreu com um ataque de coração em 1986 a ver um jogo da selecção portuguesa no mundial do México,” afirma.

Os colegas de trabalho na secretaria de Estado apressaram-se a mostrar a sua solidariedade para com Alípio Mascarenhas. A sua secretária pessoal, por exemplo, considera que “o facto de uma pessoa ser esquizofrénica não quer dizer que não possa desempenhar um cargo governativo de forma responsável” enquanto que um dos seus três motoristas manifesta-se satisfeito com a revelação. “Agora ficámos todos a perceber porque é que o senhor Mascarenhas às vezes vinha trabalhar de pijama ou me pedia para o levar ao Japão onde ia ter a reunião semanal do conselho superior de duendes mágicos da floresta,” afirma, “Ainda bem que é por causa da doença porque, sinceramente, já andávamos a pensar que era maluco.”

Também o próprio primeiro-ministro manifestou a sua satisfação para com o gesto do secretário de Estado. Para Durão Barroso, “é mais uma prova de que este Governo preza a frontalidade e a sinceridade e não tem receio de assumir os erros cometidos. Dou os meus parabéns ao doutor Alípio Mascarenhas como já dei à ministra das Finanças, ao ministro da Cultura quando assumiu que não sabe ler nem escrever e ao ministro da Agricultura quando assumiu que tem cinco cadáveres plantados no quintal lá de casa e que não sabe de onde vieram... Assumiram, não assumiram?”

Recorde-se que o actual governo tem já um largo palmarés de escândalos assumidos. O primeiro ocorreu ainda antes da tomada de posse quando o ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, assumiu que foi toxicodependente, garantindo que se encontra totalmente curado da dependência depois de um longo tratamento com metadona que seria cancelado quando se descobriu que a tomada de decisões políticas irresponsáveis produz efeitos no cérebro semelhantes aos do consumo de heroína.

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