Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Estudo confirma: Público do "Levanta-te e Ri" ri-se de qualquer coisa

Um estudo exaustivo levado a cabo pelo DEE (Departamento de Estudos Exaustivos) da Faculdade de Ciências Esporádicas da Universidade Autónoma da Patagónia confirmou algo de que já se suspeitava há muito, ou seja, que o público do programa “Levanta-te e Ri” da SIC se ri por tudo e por nada.

O estudo foi orientado por Felipe Mukenga, cantor popular angolano e comediólogo conceituado, com a colaboração de uma vasta equipa de outros cançonetistas africanos de expressão portuguesa como Danny Silva, Bana ou Waldemar Bastos. Para avaliar a sensibilidade do público do “Levanta-te e Ri” à comédia, escolheu-se uma amostra constituída por pessoas de pelo menos dois sexos, de várias idades e estratos sociais que já tivessem assistido ao programa ao vivo.
“Seguimos o método habitual neste tipo de experiência,” refere o dr. Mukenga, “Começámos por mostrar gravações de momentos seleccionados do programa e monitorizámos as suas reacções através de sensores aplicados no tórax, no crânio e no dedo grande do pé, local onde se situa o centro nervoso responsável pela apreciação da alta comédia de que o ‘Levanta-te e Ri’ é um exemplo magistral,” explica.

A reacção a este primeiro teste foi a esperada. De acordo com a dra. Cesária Évora, “os sujeitos riram de forma histérica e incontrolável, o que nos permitiu passar à fase seguinte.”
Seguiu-se uma nova série de testes supervisionados pelo dr. Bonga, em colaboração estreita com os drs. Mukenga e Hélder, rei do Kuduro, em que o mesmo grupo de apreciadores do programa foi exposto a imagens provenientes de diversas fontes e com diversos assuntos. Os resultados foram esclarecedores.

“Epá,” afirma o dr. Hélder, rei do Kuduro, “os bacanos reagiu de uma forma bué da malaika, ‘tás a ver?” Com efeito, o carácter “malaiko” da reacção das cobaias é indesmentível. As primeiras imagens exibidas foram excertos de espectáculos de comediantes populares em Portugal e no mundo como Herman José, Jerry Seinfeld ou George W. Bush que provocaram as gargalhadas esperadas. Seguiram-se imagens da queda das torres do World Trade Center, das operações de resgate de cadáveres aquando da tragédia de Entre-os-Rios, do massacre do cemitério de Santa Cruz em Timor-Leste, de um discurso de Paulo Portas, bem como uma montagem de imagens de prisioneiros judeus de campos de concentração alemães durante a segunda guerra mundial. As gargalhadas mantiveram-se durante a exibição das imagens e chegaram até a intensificar-se quando o presidente da câmara de Castelo de Paiva, Paulo Teixeira, surgiu no écran com ar comovido, forçando as lágrimas ou quando Paulo Portas se benzeu durante uma parada.

Raul Indipwo, um homem com a experiência científica resultante de toda uma vida dedicada a vestir-se de branco não adianta uma explicação. “Temos de fazer mais testes para percebermos por que se riem estas pessoas. De momento, as hipóteses mais prováveis apontam para a insanidade clínica ou para o tédio patológico,” refere, acrescentando que “e agora vou cantar uma canção de Benguela que se chama ‘Nhizinga da Kuanga naquela noite de Lua cheia, meu amor.”

Graças à competência da comunidade científico-musical dos PALOPS, fica explicado o porquê de haver quem se ria de igual forma dos esforços de um qualquer aspirante a comediante profissional e de criaturas como Fernando Rocha, Paulo Matos, Hodji Fortuna ou qualquer um dos membros do elenco do programa “Malucos do Riso.” Portugal fica em dívida para com este grupo valoroso de homens e mulheres. Quase serve para nos arrependermos da guerra colonial.

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