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Fátima Felgueiras vem a julgamento mas só se for absolvida

A autarca foragida Fátima Felgueiras voltou a manifestar a sua intenção de colaborar com a justiça portuguesa e apresentar-se ao julgamento em que será arguida mas apenas se lhe for dada a garantia de que não poderá ser condenada. “Sou uma cidadã respeitadora da lei,” afirma do seu apartamento em Copacabana, onde se instalou depois de ter fugido do país quando a polícia se preparava para a colocar em prisão preventiva, “e estou tão interessada em ver este processo chegar ao fim como qualquer outra pessoa. Não me posso é sujeitar a ser presa como se tivesse cometido algum crime.”

Estas declarações foram feitas no final da missa de Páscoa da igreja de Nossa Senhora de Atanabaraguarajara, padroeira dos criadores de tatus e dos sapatos de biqueira fina, onde a mulher por quem os felgueirenses continuam a esperar foi convidada para dizer umas palavras (depois de passar discretamente um envelope ao prior por baixo do altar) e aproveitou para clamar inocência e comparar a sua provação ao martírio de Cristo.

Com efeito, a comparação não é de todo descabida (obrigado pelo envelope, senhora presidente) e, se Fátima Felgueiras se sustentou a si, à família e aos amigos durante anos com dinheiros públicos, Cristo nunca explicou convenientemente como se processou o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes e de onde apareceu aquela comida toda. Ser-se filho de Deus terá com certeza muitos benefícios mas é pouco provável que confira poderes de catering.

A justiça portuguesa ainda não se pronunciou sobre esta exigência mas é um facto que cada vez mais especialistas consideram ter sido excessivo aplicar prisão preventiva a Fátima Felgueiras por um motivo tão absurdo como recear que esta pudesse abandonar o país.

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