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Frank Gehry remodela túneis de Lisboa

O arquitecto escolhido por Santana Lopes, enquanto presidente da Câmara de Lisboa, para efectuar o projecto de reabilitação do Parque Mayer, Frank Gehry, será também responsável por um revolucionário plano concertado de remodelação dos túneis da capital, pretendendo-se acabar de uma vez por todas com os muitos incómodos provocados.

O túnel do metro do Terreiro do Paço, o túnel do Marquês e o túnel do Rossio serão sujeitos a um rigoroso estudo consistindo na deslocação ao local de um estagiário subcontratado por uma empresa contratada pela autarquia em nome do arquitecto para levar a cabo trabalhos preparatórios, pouco mediáticos e, por consequência, indignos da atenção do famoso arquitecto americano.

O primeiro túnel sujeito a intervenção será precisamente o que há mais tempo apoquenta os lisboetas. Para resolver o problema do túnel do metropolitano do Terreiro do Paço, em que as constantes infiltrações de água impossibilitam a progressão dos trabalhos há vários anos, Frank Gehry avança com o desvio do Tejo para Sesimbra, medida que terá os benefícios adicionais de libertar uma grande área para construção de imóveis e de revitalizar a cidade de Sesimbra cujos habitantes, ao que a Inépcia apurou, sempre quiseram ter um rio. Fica também resolvido o problema da travessia do Tejo visto que esta poderá passar a ser feita por intermédio de uma via rápida normal, sem necessidade de pontes. A Transtejo, empresa que assegura a travessia do rio por barco, já foi informada e manifestou disponibilidade para se converter numa cadeia de bombas de gasolina e roulottes de bifanas e cachorros espalhadas pela futura urbanização do Mar da Palha.

Quanto ao túnel do Marquês, a solução mais viável não passará pela conclusão do projecto original, como poderia pensar-se, mas de um esforço para levar ideia inicial de desviar o trânsito do centro de Lisboa ainda mais longe, escavando-se até ao núcleo da Terra, e voltando a emergir nos arredores da cidade de Christchurch na Nova Zelândia. Os automobilistas que necessitem de vir a Lisboa e não queiram ir parar ao outro lado do planeta serão forçados a usar a rede de transportes públicos, contribuindo assim para a redução do número de veículos na cidade e para a melhoria da qualidade do ambiente.

Para o túnel do Rossio ainda não há um projecto concreto mas poderá passar pelo revestimento de todo o túnel com painéis de platina e reproduções em azulejo pintado à mão e com relevo do peito de Sofia Loren nos seus tempos áureos de rigidez mamária juvenil. De acordo com Frank Gehry, “pode não resolver o problema mas uma boa parte dos utentes do comboio vai deixar de se preocupar com a morte iminente durante a travessia do túnel.”

O actual autarca lisboeta, que muitos acreditam ser Carmona Rodrigues, mostra-se confiante no trabalho de Gehry e nega haver motivo para preocupações com o custo do projecto. “As pessoas deviam preocupar-se em vez disso com o facto de Frank Gehry estar a ser pago à hora desde a primeira vez que se deslocou a Portugal,” explica.