Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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GNR vai proteger jornalistas portugueses no Iraque

O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, anunciou ter finalmente descoberto a utilidade dos 128 militares da GNR enviados para território iraquiano de acordo com a vontade do governo português em participar na coligação internacional que depôs Saddam Hussein e tem governado o país desde então.

“Face aos acontecimentos mais recentes, decidimos que os efectivos da Guarda no Iraque dedicar-se-ão em exclusividade a escoltar os jornalistas portugueses destacados para cobrir os acontecimentos,” afirmou o ministro em conferência de imprensa realizada num jardim público onde Figueiredo Lopes costuma jogar às cartas com os reformados.

Assim, a GNR passará a ter uma missão algo paradoxal mas de importância indesmentível. Caberá à Guarda Republicana assegurar a segurança dos jornalistas enviados ao Iraque para cobrir precisamente as actividades da GNR, ou seja, para cobrir as operações de escolta a eles mesmos, possibilitando-se assim que a comunicação social aborde o seu assunto preferido: ela própria.

A decisão agora anunciada deve-se aos incidentes que envolveram recentemente alguns jornalistas portugueses. O caso mais mediático foi o do rapto do jornalista da TSF, Carlos Raleiras, que seguia num jipe com a jornalista da SIC, Maria João Ruela, e o seu operador de imagem. Ruela acabaria por ser baleada numa perna enquanto que Raleiras foi libertado depois de os raptores terem pedido um resgate milionário, só percebendo depois que o raptado era português. Ao que a Inépcia apurou, após confirmação da nacionalidade de Raleiras, não apenas o libertaram como lhe deram dinheiro para o táxi e um saco de plástico contendo uma sandes de queijo e um pacote de leite com chocolate.

A todos os que consideram disparatado enviar elementos da GNR para um país distante, correndo risco de vida apenas para proteger jornalistas que só ali estão por causa da GNR, o ministro responde que “quanto mais jornalistas estiverem no Iraque, menos estão por cá a desenterrar escândalos como, por exemplo, aquele que me envolve a mim, ao meu colega da Cultura e a uma ovelha felpuda chamada Filomena,” acrescentando em seguida que “não era bem isto que eu queria dizer.”
Recorde-se que, agora que se descobriu uma utilidade para a presença da GNR no Iraque, cai por terra o plano apresentado pelo comando do contingente italiano de usar os portugueses em operações de resgate de bebidas do bar do quartel e escolta das mesmas até às mesas.

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