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A gripe das aves vem aí

O princípio do fim da humanidade, concretização dos piores sonhos de Alfred Hitchcock ou simples faceta da relação eterna entre o homem e organismos microscópios que vivem para dar cabo de nós, a gripe das aves chegou à Europa trazida pelas aves migratórias e é preciso tomar medidas. Sem alarmismos desnecessários, sem despertar pânicos que são sempre tão prejudiciais, mas a verdade é que vamos todos morrer. Ou quase. Quem não quiser sucumbir à terrível e penosa (gracejo avícola intencional) pandemia emplumada, tem duas saídas. A primeira e mais eficaz é o suicídio. A segunda é o cumprimento à risca das seguintes dicas de segurança:


1-O verdadeiro perigo da gripe das aves reside na mutação do vírus em formas perigosas para os humanos. Para evitar ao máximo essa possibilidade, torna-se necessário limitar os contactos com as várias espécies de aves ao máximo. Sobretudo com as aves ditas “de capoeira” pela sua maior afabilidade para com a nossa espécie. Recomenda-se a abstinência mas, porque a abstinência nem sempre é possível, quaisquer contactos com aves deverão ser efectuados com a protecção necessária. Da próxima vez que encontrar uma galinha curvilínea e mesmo a pedi-las ou um pato bonacheirão e provocante, pare para pensar na sua saúde e na dos que lhe são próximos.


2-Em qualquer surto vírico, a vacinação deve ser a primeira linha de defesa do organismo. Como não podia deixar de ser, esta premissa também se aplica à gripe das aves. Sendo assim, presto-me a anunciar algo que, até agora, apenas era do conhecimento do meu bom amigo, engenheiro José Sócrates. A vacina contra a forma mais mortífera da gripe das aves existe há já alguns dias e fui eu que a inventei, misturando ao calhas partes de aguardente barata, noz moscada e detergente para a louça com aroma a limão. Por motivos de elevado interesse público, disponibilizo-me a comercializá-la em ampolas de 30 mililitros ao preço de 85 euros cada uma. Os interessados deverão entrar em contacto comigo. As ampolas vendem-se em embalagens de cinco. Deve ser administrada por via oral ou anal (funil não incluído).


3-Morar em aviários pode estar na moda e ser muito confortável mas é preferível começar a pensar num alojamento temporário até passar a pandemia. Um bonito T2 na baixa, por exemplo. Pode não ter o chão coberto de trampa de peru mas, pelo menos, estão asseguradas as comodidades básicas e a saúde deve estar antes do conforto.


4-Não podemos correr riscos. Supostamente, a gripe das aves transmite-se por via aérea e por contacto com animais infectados e seus excrementos. Ou seja, também é provável que se transmita por contacto com penas. É portanto necessário afastar as penas da nossa convivência diária e, se isso implicar exterminar povos que usam penas como acessórios de vestuário como os índios americanos ou os papuas da Nova Guiné, seja. Valores mais altos se levantam.


5-O banho de esterco de galinha diluído em água morna tem propriedades medicinais conhecidas desde a antiguidade clássica e muitos são os que não dispensam uma boa banhoca galinácea, sobretudo se esta for temperada com algumas gramas de fezes de rola. Este tipo de actividade é severamente desaconselhado no momento que atravessamos, podendo, em alternativa, ser substituído por banhos de esterco suíno ou ovino com benefícios idênticos para a saúde e bem-estar.


6-As vias respiratórias são o principal meio de contágio das gripes e de várias outras doenças. Quer isto dizer que, de cada vez que inspiramos, estamos a escancarar a porta do nosso organismo e a estender uma passadeira vermelha a toda a sorte de vírus, bactérias e microbicharada vária que tem tudo menos boas intenções. Para grandes males, grandes remédios. Deixemos de respirar! Os cientistas já provaram que respirar é um hábito e não é tão essencial à sobrevivência como antes se pensava. Nos Estados Unidos, há mesmo comunidades de gente consciente dos perigos da respiração, cujos membros não respiram há vários anos. Existe um método simples e metódico que permite educar o corpo para o abandono do vício da respiração. Começa-se por não respirar uma hora em cada dia, passa-se para não respirar dia sim, dia não e, em breve, nem sentiremos mais a falta do oxigénio.

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