Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Comunidade internacional recomenda extinção do Haiti

Face aos acontecimentos recentes, a comunidade internacional, por intermédio do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, sugeriu às autoridades haitianas que optem por uma extinção voluntária do seu país como forma de resolver os problemas de uma vez por todas e melhorar as condições de vida do povo.

Recorde-se que, ao longo dos últimos meses, o país começou por ser assolado por manifestações contra o presidente Jean-Bertrand Aristide, acusado de planear uma manipulação dos resultados das eleições para se manter no poder por mais um mandato. Com o agravar da situação, os protestos deram lugar a confrontos envolvendo o exército, movimentos rebeldes anti-Aristide e grupos de pessoas sem nada melhor para fazer até porque há poucos cinemas no país e a televisão haitiana nunca dá nada de jeito.

“Em duzentos anos de independência, o melhor que o Haiti conseguiu foi a situação actual,” considera Kofi Annan, acrescentando que “Há que saber quando desistir.”
O Haiti foi o segundo país do continente americano a conseguir a independência, a seguir aos Estados Unidos, e o primeiro estado negro independente do mundo e, desde 1804, tem sido “governado” (no sentido mais lato do termo) por uma galeria infindável de imperadores auto-proclamados, presidentes vitalícios e ditadores assumidos entre os quais merecem destaque François “Papa Doc” Duvalier e o seu sucessor, o filho “Baby Doc,” que mantiveram o país num clima permanente de terror e opressão entre 1957 e 1986. Em 1990, as coisas pareciam estar prestes a melhorar com a eleição de um ex-padre salesiano e opositor dos regimes ditatoriais, Jean-Bertrand Aristide, que, entre golpes de estado e regressos ao poder, conseguiu ter uma carreira política quase tão atribulada como a do negro Kulungazi Nkalanbu, nomeado por engano para um cargo na administração da cidade de Joanesburgo na África do Sul em 1983, em pleno apartheid.

Para além da sua atribulada história política, o Haiti conseguiu tornar-se um dos países mais pobres do mundo e o mais pobre do continente, reduzindo praticamente a zero as suas exportações de rum e café e não tendo qualquer outra fonte de rendimento. A indústria turística vive num marasmo permanente ao ponto de, dos quinze turistas que o país acolheu nos últimos 25 anos, três estarem ligados ao tráfico de droga e visitarem o Haiti apenas por motivos profissionais, dois serem entusiastas do voodoo, um ser pedófilo e procurar crianças para satisfazer os seus apetites a preços módicos e os restantes nove terem feito confusão com o Tahiti, a paradisíaca ilha na Polinésia Francesa.

Agora que Aristide “renunciou voluntariamente ao cargo,” o que as autoridades de Washington chamam a pegar em alguém, obrigá-lo a assinar um papel e enfiá-lo num avião para a República Centro-Africana, a situação poderia normalizar-se mas a história do país não dá lugar a grandes esperanças.

Para os analistas, a melhor solução seria mesmo a extinção do país, ainda para mais porque ninguém vai sentir saudades do Haiti, a começar pelos próprios haitianos que seriam realojados num sítio melhor. A cultura do Haiti gira em torno dos rituais macabros do voodoo e convenhamos que há coisas mais agradáveis do que ser enterrado vivo ou transformado em zombie. No desporto, tábua de salvação para a imagem de muitos países do Terceiro Mundo, o Haiti consegue ser também uma nulidade. A maior glória do desporto haitiano foi Laurent François, um maratonista que, nos jogos olímpicos de Los Angeles em 1984, optou por não partir enquanto espetava agulhas numa série de bonecas de pano representando todos os outros participantes e convicto de que os conseguiria fazer desistir.

A proposta de extinção foi já apresentada ao presidente interino, Boniface Alexandre, e será em breve sujeita a referendo. Se for aprovada, o Haiti será transformado num gigantesco campo de golfe administrado pela ONU.

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