E-zine satírico sem corantes nem conservantes

Hospitais-bordel sucedem a hospitais-empresa

Sem dar tréguas na interminável cruzada pela melhoria dos serviços de saúde nacionais, o ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, apresentou a sua última e revolucionária ideia numa conferência de imprensa realizada no anfiteatro da sede da Federação Portuguesa de Columbofilia e na qual estiveram presentes os principais periódicos columbófilos do país, incluindo a Inépcia.

A ideia explica-se em poucas palavras. Inspirado pelo modelo de gestão dos hospitais-empresa, o ministro apercebeu-se de que a gestão de um hospital como se de um prostíbulo se tratasse poderia trazer benefícios visíveis para os utentes e para os próprios hospitais.

“É simples,” revelou Luís Filipe Pereira, “numa primeira fase, o utente será confrontado com duas opções no contacto com o pessoal médico. Ou escolhe ser observado, o que não trará qualquer problema pois é o que já acontece agora, ou então optará por pagar uma quantia a combinar ao médico ou enfermeiro em questão para que este lhe faculte um conjunto de serviços de cariz sexual previamente definidos e com preços distintos afixados numa tabela.” Esta junção de duas das mais velhas profissões do mundo estará disponível para ambos os sexos e preferências sexuais, de forma a construir-se um sistema abrangente dos vários sectores da população e que permita diversificar os serviços prestados.

O único esforço necessário será uma selecção mais rigorosa dos alunos que desejam entrar nos cursos de Medicina que, para além de classificações elevadas no ensino secundário e nas provas de acesso, terão também de ter um aspecto minimamente atraente de forma a garantir uma afluência estável de utentes-clientes. Se a oferta não conseguir satisfazer a procura, poder-se-á sempre recorrer à “importação” de pessoal especializado da Europa de Leste o que, de qualquer forma, já acontecia até aqui tanto na prostituição como na medicina.

Este novo sistema será posto em prática a partir de Janeiro de 2005 no Hospital Distrital de Portalegre de forma experimental. No fim de um período de seis meses, avaliar-se-ão os lucros obtidos e a aceitação do público e, se tudo correr como previsto, o sistema será alargado a outros hospitais do país.

Está previsto que, em cada hospital-bordel, seja criada a figura do “chulo hospitalar” que exercerá funções de regulação da actividade médico-prostituinte e se encarregará de aplicar castigos corporais ao pessoal que não se esmere para agradar ao cliente mas sempre com muito amor e carinho.