Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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ICN determinado a acabar com praga de felinos nos Açores

A Inépcia sabe de fonte mais ou menos segura que o Instituto da Conservação da Natureza (ICN) está a tentar controlar uma praga de felinos que há vários meses se abateu sobre o arquipélago dos Açores. Fica assim explicado o comportamento de funcionários do ICN que provocaram a morte de duas leoas e um tigre apreendidos a um cidadão particular, como foi mostrado numa reportagem da RTP que indignou organizações ecologistas e o público em geral, com excepção das oito pessoas que responderam “Sim, e gostava que isso acontecesse com mais frequência” ao inquérito sobre a receptividade dos espectadores à exibição televisiva de imagens de animais moribundos.

A informação foi mantida em segredo para evitar pânicos desnecessários de acordo com João Silva Costa, presidente do ICN. “Em Portugal, as pessoas têm tendência para entrar em pânico por qualquer coisa,” afirma, acrescentando que “não é por termos bandos de leões e tigres esfomeados à solta nos Açores que vamos fazer uma tempestade num copo de água.”
Ao que parece, os funcionários do ICN enviados aos Açores para lidar com o caso retratado na reportagem da RTP tinham ordens para abater os animais que acabaram por morrer, vendo-se forçados a simular o acidente devido à presença do jornalista, visto que, desde que começou a praga, o ICN já capturou cerca de 53 felinos de várias espécies apenas nas ilhas de São Miguel e Terceira, não havendo possibilidades para capturar mais.

O primeiro relato da presença de um felino selvagem nos Açores ocorreu no passado mês de Março quando um residente da ilha de São Jorge avisou a polícia local de que havia um tigre a passear-se no seu jardim. A polícia comunicou o caso à delegação regional do ICN que, por sua vez, reportou o caso à direcção nacional que, a princípio, julgou tratar-se de uma brincadeira de mau gosto e nem sequer respondeu. Foi só quando as queixas do mesmo género começaram a generalizar-se e quando a população inteira de uma aldeia na ilha de Santa Maria foi devorada por um bando de leopardos que os dirigentes do ICN perceberam que “algo estava mal até porque é muito raro os leopardos caçarem em grupo.”

Este incidente com os leopardos foi o primeiro de muitos. Pouco tempo depois, um padre da ilha do Pico perdeu um braço após ter sido atacado por um jaguar que dormia no confessionário e a que o padre tentou dar uma penitência de sete Avé-Marias e dez Pai-Nossos. Na ilha de São Jorge, uma sexagenária foi perseguida por um leão jovem e na Graciosa, foi encontrada uma carcaça de vaca que, aparentemente, serviu de alimento a um tigre de Bengala.

Os especialistas contactados pela Inépcia não conseguem explicar esta abundância repentina de animais tropicais nos Açores, região onde nunca existiram felinos selvagens nativos. No entanto, o ICN aponta para a hipótese de os felinos terem dado à costa montados em pedaços de madeira flutuante. Apesar da insistência, ninguém quis explicar como um tigre pesando centenas de quilos conseguiu vir da Ásia até ao Atlântico empoleirado numa tábua.

Os trabalhos do ICN continuam e espera-se que a situação fique controlada em breve nas ilhas de São Miguel, Terceira, Pico e Faial, onde os funcionários daquele organismo travam uma guerra aberta contra bandos de felinos furiosos, tentando proteger a população que se abrigou em pavilhões gimnodesportivos e em salões paroquiais. Quanto às restantes ilhas, devido à falta de meios operacionais, optou-se por transportar os habitantes para um local seguro e lidar com o problema mais tarde. A situação mais preocupante regista-se na ilha do Corvo, onde, de um dia para o outro, surgiram milhares de ocelotes. O ocelote é um felídeo de tamanho reduzido, quando comparado com um leopardo, por exemplo, e relativamente inofensivo, mas a sua presença em grande número num território tão reduzido como a ilha do Corvo tem causado algum transtorno.

De acordo com João Silva Costa, “o ICN vai continuar a trabalhar para tornar os Açores um sítio seguro para viver e livre de grandes felinos,” não escondendo alguma mágoa provocada pela reacção popular à reportagem da RTP. “O que mais me custa é ver as pessoas contra nós quando fizemos o que fizemos a pensar no bem comum,” afirma.
Depois de resolvido o problema dos felinos nos Açores, o ICN pretende dedicar-se em exclusivo à infestação de crocodilos do Nilo na ilha de Tavira.

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