Inscrição irregular de um jogador em 1930 pode custar títulos ao Benfica
A descoberta foi feita por um funcionário da Federação Portuguesa de Futebol encarregue de queimar documentos comprometedores do arquivo na sequência da recente operação “Apito Dourado” e que descobriu a folha de inscrição de Vítor Silva a embrulhar um molho de relatórios de arbitragem falsificados. No documento, apesar de se encontrar em deficientes condições de conservação, é possível ler-se que o jogador foi inscrito pela direcção benfiquista mediante entrega de cinco escudos em dinheiro, um cabaz de figos, duas galinhas poedeiras e uma posta de bacalhau. O problema reside no facto de os regulamentos da Federação Portuguesa de Futebol vigentes no ano em questão exigirem de forma clara que todas as inscrições de jogadores a usar em provas tuteladas por aquele organismo se fizessem acompanhar pela quantia em dinheiro acima referida, por um cabaz contendo fruta da época à escolha do clube e por três galinhas poedeiras. Ao que parece, de acordo com os registos do clube da Luz, o presidente da altura, Cosme Damião, um dos fundadores do Benfica, terá tido alguns problemas para encontrar o número exigido de galinhas poedeiras devido à temível peste galinácea que grassava em toda a Europa. Outros clubes padeciam do mesmo mal e muitos jogadores viram as suas inscrições anuladas por este motivo. O único clube que podia respirar de alívio era o Sporting que, sendo um clube de aristocratas, possuía capoeiras próprias numa quinta sita no Lumiar e propriedade do Visconde de Alfornelos. No entanto, Damião conseguiu achar duas galinhas (apesar de boatos de que uma delas seria um galo com tendências esquisitas) e convenceu o funcionário da FPF responsável pelas inscrições a aceitar uma posta de bacalhau no lugar da galinha faltosa, permitindo a inscrição de Vítor Silva, um goleador exímio. Esta descoberta foi transmitida à Liga Portuguesa de Futebol, entidade que tutela o actual campeonato da Superliga, que garantiu que irá averiguar a questão a fundo e que, caso se confirme o incumprimento, o Benfica poderá ser despojado de todos os títulos conquistados entre 1931 e a actualidade porque, de acordo com um funcionário da Liga que não se quis identificar mas que tinha um alfinete do Boavista na lapela, “tem de haver igualdade de tratamento e os regulamentos são para se cumprir à risca.” Outro funcionário, que não trazia alfinete mas que nos confidenciou estar a usar cuecas aos quadrados pretos e brancos, quando questionado se a importância dada a esta questão não seria apenas uma vontade mesquinha de fazer pirraça, riu-se, piscou o olho e disse “Hã? Hã?” Contactámos o actual presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, para obter um comentário mas o homem por trás do bigode que dirige os destinos encarnados começou a ficar roxo, caiu para o chão e foi transportado de emergência para o hospital para ser reanimado. O bigode mantém-se de perfeita saúde. Para o professor Acácio Contentinho, eminente sociólogo e entusiasta do aeromodelismo naturista, “este tipo de situação pode ser mais perigoso do que parece,” referindo-se às eventuais consequências nefastas de uma acção deste género dirigida contra o Benfica. “Se alguém tentasse retirar títulos ao Benfica na secretaria, poderíamos correr o risco de as hordas de adeptos que o clube tem em todo o país se revoltarem, derrubando o governo, destruindo todas as estruturas sociais vigentes e instaurando uma espécie de monarquia teocrática em que os adeptos das equipas rivais seriam enviados para campos de reeducação, as cores azul e verde seriam proibidas por decreto e Eusébio seria venerado como um deus vivo,” afirma. |