EUA pretendem transformar Iraque num reality-show
Este teleregime, mais um produto dos génios políticos que já nos deram o embargo a Cuba, a NATO, o general Noriega e o governo de transição do Afeganistão, funcionará de um modo semelhante ao dos reality-shows que tão bem conhecemos. Numa primeira fase, depois da deposição de Saddam Hussein, actual presidente do Iraque, os Estados Unidos darão início a um período de administração transitória a que os especialistas em política internacional chamam "período agora que temos isto só para nós podemos começar a fazer as coisas mais à larga." Durante esse período, será nomeado um presidente temporário que terá de se enquadrar num conjunto de pré-requisitos impostos pelos Estados Unidos, ou seja, terá de ter um aspecto vagamente árabe, de preferência com bigode para que a transição não seja demasiado brusca, mas não poderá gostar de usar farda para evitar comparações infelizes. Passada a primeira semana de governo, este líder democraticamente eleito (mais coisa menos coisa) será submetido à apreciação popular por intermédio de voto telefónico. Inicialmente, o voto telefónico estará limitado aos cidadãos americanos mas prevê-se que os iraquianos também se possam pronunciar sobre o governo do seu país logo que a rede de telecomunicações esteja reconstruída após os bombardeamentos que se adivinham intensos. Se o líder obtiver uma maioria de votos favoráveis poderá continuar a governar durante uma semana, se tal não acontecer será substituído por outro. Os substitutos serão seleccionados entre todos os americanos que enviarem um cupão devidamente preenchido para o Departamento de Estado em Washington D.C. por um júri composto por vedetas do mundo da música, do cinema e do lançamento do dardo que terão em conta as capacidades de cada candidato para defender e aplicar os valores da liberdade, da democracia e do progresso, o seu ódio ao terrorismo e aos países do eixo do mal e também a sua disponibilidade para praticar actos escabrosos de natureza sensual perante as câmaras com iluminação fraca e debaixo dos lençóis. Para
acompanhar o desempenho de cada presidente, serão instaladas câmaras
em todas as divisões da residência oficial do chefe de Estado
iraquiano em Bagdad que captarão imagens que serão transmitidas
em directo para a cadeia de televisão que der mais pela possibilidade
de incluir esta iniciativa histórica na sua programação.
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