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Israel só aceita negociar com Arafat

Numa inesperada mudança de posição, o governo israelita anunciou que, a partir de agora, só aceitará discutir a questão palestiniana com Yasser Arafat, contrastando com a posição anterior, segundo a qual era precisamente o líder histórico da Palestina o entrave às negociações.

A decisão foi anunciada pelo ministro do Interior, Avraham Poraz, na inauguração da primeira de uma cadeia de gelatarias blindadas que o governo de Tel-Aviv pretende instalar por todo o país como forma de assegurar que os israelitas podem perfeitamente satisfazer a sua gulodice sem recear a presença de engenhos explosivos no sorvete de pistácio com nozes.

“Mudámos de ideias,” afirmou Poraz, provando o morango com chocolate, “Chegámos à conclusão de que o senhor Arafat não é assim tão mau tipo como isso e que a solução da crise passará por ele e por mais ninguém.”

As críticas a esta medida não tardaram, vindas dos críticos habituais de todas as decisões do executivo de Ariel Sharon relacionadas com a questão palestiniana. Muitos são os que consideram suspeita esta mudança de atitude precisamente agora que Yasser Arafat acaba de falecer para felicidade da comunicação social que várias vezes lhe tinha anunciado a morte sem sucesso.

Em resposta às críticas, Avraham Poraz considera que “já cá faltava o estereótipo do judeu velhaco que perverte as regras do jogo em seu benefício. Temos de viver com esse tipo de acusação há séculos. Trata-se de anti-semitismo puro.”

Se a Autoridade Palestiniana não aceitar dar início a um processo de conversações entre Israel e Yasser Arafat, qualquer que seja o motivo, a escalada de violência prosseguirá com o fecho do muro em torno da Cisjordânia a que se seguirá a construção de um tecto sobre todo o território pois é sabido que a exposição aos raios solares potencia comportamentos terroristas.