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Julgamento do processo Casa Pia transferido para estância turística nas Maldivas

O julgamento do processo Casa Pia será mais uma vez transferido depois de a passagem do tribunal da Boa Hora para o tribunal de Monsanto motivado pela falta das condições necessárias a um julgamento desta envergadura não ter conseguido satisfazer as exigências dos advogados dos vários arguidos.
Às queixas acerca da falta de espaço da Boa Hora, seguem-se outras relacionadas com factores tão díspares como a disposição dos elementos na sala de audiências, a arquitectura do tribunal ou o facto de o mobiliário da sala ter sido envernizado com um tipo de verniz que provoca comichões no nariz ao advogado José Maria Martins.

A opção pelo arquipélago das Maldivas no Oceano Índico pretende antecipar-se a novas e previsíveis queixas dos advogados que pediam a transferência do julgamento de Monsanto para as intalações do antigo tribunal militar de Santa Clara. “Não queriam mais nada,” refere a juíza Ana Peres, “Se o julgamento passasse para Santa Clara, queixavam-se do caruncho e do cheiro a mofo.”

A nova localização do processo mais mediático da justiça portuguesa nos últimos anos é um grande bungalow localizado na paradisíaca ilha de Boduhithi, habitualmente utilizado como centro de congressos improvisado para convenções fictícias de médicos e que, pela inexistência de paredes, dispõe do espaço necessário e de uma magnífica circulação de ar.

Outra das localizações estudadas foi a ilha de Santa Lúcia nas Caraíbas mas o Ministério Público acabaria por optar por esta por ser mais cara, visto que a justiça pode ser cega mas não é parva.
Para além das condições oferecidas e da paisagem magnífica, a opção pelas Maldivas oferece outras vantagens como, por exemplo, o relativo isolamento da ilha em questão apenas acessível por barco, o que permitirá que os trabalhos decorram sem ajuntamentos de populares junto à porta de saída dos arguidos e seus advogados e sem as multidões de jornalistas que se amontoam em torno dos arguidos mais mediáticos, chegando ao ponto de lhes dificultar a marcha. No entanto, a redução do número de jornalistas presentes talvez não esteja totalmente assegurada visto que a TVI anunciou já estar a ultimar a criação em laboratório de repórteres dotados de guelras.

O único senão é a necessidade imperiosa de que o julgamento decorra mais rapidamente do que o que é habitual em Portugal visto que, mais década menos década, todo o arquipélago das Maldivas poderá ser submerso pela subida do nível do mar provocada pelo efeito de estufa.