Portugueses já não se lembram do processo Casa Pia, das eleições europeias, de Sousa Franco ou de Fátima Felgueiras
A sondagem foi feita à porta da recém-inaugurada loja da IKEA em Lisboa, junto de pessoas que aceitaram passar a noite numa jaula de tigres famintos para ganhar um vale-desconto de 2 euros. A única selecção feita foi a separação entre os sobreviventes da prova e os não-sobreviventes que não manifestaram interesse em responder às questões dos colocadas pelos entrevistadores. Assim, verifica-se que o processo Casa Pia, que durante meses chocou o país até perder o efeito de novidade e até os portugueses ficarem a conhecer os órgãos genitais de Carlos Cruz e Paulo Pedroso em pormenor, apenas é recordado por 17% dos inquiridos. Mais marcante parece ter sido o processo judicial instaurado a Fátima Felgueiras, autarca da cidade homónima, e consequente fuga desta para o Brasil. 25% dos inquiridos demonstra ter algum conhecimento de “ter havido uma presidente de Câmara qualquer que foi apanhada aos pontapés a um saco azul cheio de apitos dourados num jogo da segunda divisão.” Para Neuza Aparecida, directora da “Mamada” e vice-presidente do SPB-NE, “é um fenómeno comum nas sociedades ocidentais devido à dependência que existe em relação aos media. Os assuntos vão sendo esquecidos pela comunicação social à medida que vão surgindo outros a necessitar de cobertura.” Quando questionada sobre a pertinência do nome da publicação que dirige e se não se poderia ter optado por uma designação mais ortodoxa, Neuza considera que “isto não é nada. Deviam ter visto os nomes anteriores que foram rejeitados pelo nosso conselheiro de marketing, o senhor padre Daniel Pimenta.” Quanto às eleições europeias, apesar de terem decorrido há tão pouco tempo, a sondagem revela que apenas 7% dos portugueses se recorda do acto eleitoral, percentagem que quase iguala a percentagem de cidadãos que votou, e uns míseros 11% recorda a morte do cabeça de lista socialista, Sousa Franco, “espancado até à morte com solhas e chicharros por peixeiras na lota de Matosinhos.” Para José Luís Arnaut, ministro de Não Sei Quê, “o Euro 2004 foi um sucesso e a prova está no efeito positivo que teve na memória dos portugueses, apagando incidentes sem importância com um peso francamente negativo e orientando-os no sentido da confiança na recuperação da economia e na competência deste governo.” |