Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Mensagem de Natal de Durão Barroso descodificada

A Inépcia apurou que a mensagem de Natal do primeiro-ministro Durão Barroso aos portugueses foi encriptada pelos serviços de imprensa do Governo para garantir que o impacto junto do público seria positivo, visto que a situação em que o país se encontra e a incapacidade de Durão para dizer qualquer coisa que não corresponda em 100% à verdade poderiam vir estragar uma quadra que se quer feliz. Recorrendo às mais avançadas técnicas de descodificação de mensagens e aos especialistas responsáveis por interpretar a última mensagem enviada por Carlos Cruz da prisão ("Cuidado ao beijar o menino Jesus") como querendo dizer "Em todas as edições do 1,2,3 apresentadas por mim, mantive sempre uma criança recém-entrada na puberdade debaixo da mesa que me ia gratificando sexualmente enquanto os concorrentes escolhiam os objectos a rejeitar," apresentamos agora num exclusivo Inépcia-Clarim do Lesoto a verdadeira mensagem natalícia do primeiro-ministro incluindo tudo aquilo que Durão e o Governo não quiseram que os portugueses soubessem. Proximamente, contamos apresentar também a descodificação da mensagem de Natal do cardeal-patriarca de Lisboa sem censura dos pormenores escabrosos como, por exemplo, a referência ao infame presépio vivo de mulheres nuas.

Portugueses, nesta época de paz e saudável e harmonioso convívio familiar, venho falar-vos não como primeiro-ministro mas como amigo. Porque é assim que gostaria de ser v isto por todos vocês. Não aspiro a que me vejam como um grande amigo. Como um amigo íntimo. Como um amigo de infância. Estou plenamente consciente da distância que existe, sempre existiu e, muito provavelmente sempre existirá entre governantes e governados. Ao invés, gostaria que me vissem como aquele amigo chato e estúpido que se tolera sem se saber muito bem porquê. E é como amigo que vos digo que o ano de 2004 será crucial para o nosso país. Como é sabido, a economia global está a atravessar um período de crise. Estas crises económicas que afectam o mundo são fenómenos periódicos, ou seja, que surgem de forma inevitável, evoluem até atingirem o seu clímax e se vão atenuando até se dissolverem e darem lugar a um período de prosperidade económica. Encontramo-nos neste momento no período do ciclo de crise em que os governantes de todo o mundo vêm dizer aos cidadãos dos países respectivos que o pior já passou. Que em breve assistirão a uma retoma da economia. E eu faço o mesmo, até porque, muito sinceramente, nunca tive cabeça para estas coisas da economia e não me tenho saído mal em imitar o que os meus colegas da Europa e do mundo fazem. Mas não se pense que as dificuldades vão desaparecer com o advento do novo ano. Pelo contrário, subsistirão porque a saída da crise é sempre gradual. O que é necessário é existir uma consciência de que as dificuldades não são suportadas apenas por uns enquanto outros são poupados. Todos os portugueses são afectados pela crise de que, felizmente, começaremos a sair muito em breve. Dou-vos um exemplo. Há algum tempo atrás, encontrava-me em visita oficial a um bordel de luxo nos arredores de Lisboa e na poltrona ao lado da minha, estava sentado o presidente de um conhecido grupo empresarial cujo nome não vem ao caso, com uma matulona ucraniana escarrapachada no colo que lhe dizia: "Então amor? Nyet de truca-truca?" ao que o empresário respondeu: "Parece que hoje não vai dar. Estou a sentir algumas dificuldades." Eu próprio também sinto dificuldades, apesar de não ter quaisquer problemas a nível sexual como pode ser comprovado pela fadiga crónica de que sofre a minha esposa. Mas prestem atenção à imagem que têm nos vossos écrans de televisão.

Provavelmente, não farão ideia do dinheiro que custou arranjar um consultor de imagem para escolher o fato apropriado para fazer este comunicado ou trazer um especialista em feng shui directamente de Macau para estudar o modo de posicionar as mãos mais benéfico para o país. E quanto ao cenário que está por trás de mim? Esta lareira de aspecto natalício foi construída com o mesmo software usado nos filmes de Hollywood para criar ambientes fictícios com grande realismo, porque o recheio da residência oficial do primeiro-ministro foi transferido para uma casa que possuo no Algarve para garantir a segurança daquele património nacional em caso de ataque terroristas. Tudo isto custou muito dinheiro, uma quantia várias vezes superior àquela que possuo e ver-me-ia forçado a recorrer a um empréstimo bancário se não existisse uma verba no orçamento de Estado reservada para despesas pessoais absurdas do executivo.
É com a consciência das dificuldades e com o esforço colectivo para as ultrapassar que Portugal conseguirá tornar-se o país moderno e com um desenvolvimento ao nível dos nossos parceiros europeus que todos almejamos. Só assim poderemos resolver os problemas sérios que ainda nos afectam, com destaque para um dos que a mim, pessoalmente, mais me preocupa: o desemprego. Nomeadamente, o meu desemprego se não vos conseguir convencer a votar em mim nas próximas eleições, porque esta minha licenciatura em Cerâmica Ornamental com pós-graduação em História e Teoria do Bibelot não serve para nada.

Gostaria de aproveitar esta oportunidade para dirigir cumprimentos especiais aos militares da GNR que se encontram a servir o seu país no Iraque integrados numa força internacional cuja missão é tornar mais agradável a vida dos nossos amigos iraquianos, finalmente livres das garras do ditador Saddam Hussein. Lembro-lhes que o vosso país se orgulha do vosso esforço e da coragem que revelam ao enfrentar este desafio. Em breve, se tudo correr como planeado, estarei presente na recepção oficial dos vossos restos mortais com todas as honras de Estado que permitirão ao país levantar a cabeça depois de tantas dificuldades enfrentadas com a consciência de que os portugueses são gente de valor ainda capaz de grandes feitos. Peço desculpa em meu nome e em nome de Portugal por não terem recebido os ingredientes necessários para a realização de uma consoada à portuguesa que vos foram prometidos e tantas vezes anunciados e por terem de subsistir com esmolas das forças italianas mas creio que posso dizer em nome de todos que deixem mas é de ser xoninhas, sempre a queixarem-se! Se calhar morrem por não comer bacalhau na noite de Natal, não? Acham que eu também comi bacalhau? Tive de me contentar com uma refeição de oito pratos que incluía faisão grelhado com pêras recheadas, costeletas de javali com molho de trufas e truta salmonada com ervilhas e pepitas de ouro de coentrada. Bacalhau nem vê-lo.

Apresento também os meus votos de festas felizes aos nossos amigos lusófonos, em especial aos países africanos de língua oficial portuguesa. Que os laços históricos de amizade que existem entre nós nunca se esbatam. A minha presença entre os convidados para o casamento da filha de sua excelência, o presidente José Eduardo dos Santos de Angola foi também um gesto simbólico representativo do tipo de pequenos gestos que podem ser feitos por qualquer um de nós para que, cada vez mais, a lusofonia seja uma grande e unida família. E gestos como este trazem grandes benefícios a todos e causam transtorno mínimo a quem os pratica. No meu caso, esse transtorno, que nem chega a sê-lo, limitou-se à viagem e a uma prenda simbólica do primeiro-ministro de Portugal para os noivos que consistiu num faqueiro de prata banhada a ouro e na península de Setúbal que agora, oficialmente, passa a ser território da Repúbica de Angola.

Para terminar, uma palavra de apreço especial para dois sectores muito importantes da sociedade portuguesa. Em primeiro lugar, os jovens que constituem o futuro da Nação e que, pelos níveis elevados de estupidez mais ou menos generalizada que revelam garantem que o país vai continuar a manter os mesmos padrões de corrupção, incompetência, ignorância e irresponsabilidade que tanto nos orgulham e que fazem já parte do nosso património histórico-cultural. E não me poderia esquecer dos nossos emigrantes, gente que não hesita em abandonar o conforto dos lares e a convivência com familiares e amigos para rumar ao estrangeiro para lutar pela vida, dando contributos incontornáveis para o aumento das vendas de música de má qualidade e para o enriquecimento da nossa arquitectura tradicional com casas de telhados pontiagudos e cores garridas.
A todos os portugueses, desejo um santo e feliz Natal.

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