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Jogadores da selecção disponíveis para “meter o pé” mas exigem saber onde

Os jogadores da selecção nacional responderam ao pedido do seleccionador Luiz Felipe Scolari para “meterem o pé” de maneira francamente afirmativa, manifestando inteira disponibilidade para meter o pé com todo o afinco mas com a condição de que alguém lhes explique de forma detalhada onde é que se espera que o seu pé seja metido.

A preocupação é natural. Costinha, habitual capitão da selecção e jogador do Porto, assume o papel de porta-voz dos colegas e explica os motivos da apreensão. “O mister pede que metamos o pé mas a coisa não é assim tão simples,” explica, “se é para meter o pé na rótula de um avançado adversário tudo bem, nós até somos bons a fazer isso lá no Porto, agora não queremos que os nossos instrumentos de trabalho acabem envolvidos numa orgia de fetichistas de pés ou noutra coisa desagradável do género.”

O futebol é um desporto em que meter o pé desempenha um papel de grande importância e assim tem sido desde que, em 1816, a direcção do Clube dos Delicadinhos de Wolverhampton decidiu que era boa ideia inventar um jogo com bola que permitisse aos seus membros ocupar os tempos livres sem estragar as unhas. No entanto, por tradição, o sítio onde é suposto os futebolistas meterem o pé costuma ser a bola e não tem havido grandes variações ao longo dos anos.

Scolari ainda não prestou esclarecimentos adicionais por se encontrar ocupado num trabalho de pesquisa intensiva com o objectivo de averiguar qual a santa mais disposta a conferir à selecção portuguesa uma bênção que lhe permita chegar à final do campeonato do mundo.

Entretanto, esta intenção de “meter o pé” revelada pela selecção nacional despertou as atenções dos adversários de Portugal no apuramento para o mundial de 2006 na Alemanha e o treinador da selecção da Letónia já admitiu que, se os portugueses meterem o pé, os seus jogadores vão meter a mão.

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