Inépcia: s.f. (do latim "ineptia) 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Míssil transviado acaba nas Caldas

A população das Caldas da Rainha foi surpreendida com a notícia de que um míssil teleguiado terá sido encontrado nas traseiras da câmara municipal dentro dum contentor de lixo.

Suspeita-se que se trate de um míssil da coligação aliada em guerra com o Iraque que se tenha desviado do alvo, dirigindo-se para território português.

O míssil não explodiu por motivos desconhecidos e já foi levado para instalações seguras por uma equipa de especialistas do exército de modo a evitar que possa provocar danos pessoais ou materiais.

O comando da coligação anglo-americana já admitiu a possibilidade de se tratar de um míssil seu mas, por enquanto, não consegue explicar como um míssil disparado no médio oriente pode ter vindo parar a Portugal ainda por cima quando o combustível que propulsiona o projéctil levá-lo-ia, quanto muito, até ao Irão ou à Turquia, países que fazem fronteira com o Iraque e onde já se verificaram incidentes com mísseis que falharam o alvo.

O presidente da câmara, o social-democrata Fernando José da Costa, manifestou já o seu apreço pela escolha daquele município do oeste pelas forças inglesas e americanas para efectuar a doação generosa um míssil transviado o que, de acordo com o próprio, “só mostra como a posição do governo nesta crise internacional tem sido válida ao ponto de uma cidade modesta como as Caldas ser contemplada com uma honra deste nível.”

O míssil será mantido em local seguro até estarem concluídas as obras na praça Madalena Iglésias, futura “rotunda do míssil” onde será instalado como parte integrante de um monumento da autoria de uma sobrinha do autarca subordinado ao tema geral: “Caldas, rumo a um futuro explosivo.”

Ao que a Inépcia apurou o míssil ainda não foi desarmado por duas razões. Em primeiro lugar, porque os especialistas do exército não têm grande experiência com mísseis teleguiados até porque, de acordo com o tenente Alvorninha da unidade de explosivos, “a única coisa teleguiada que as nossas forças armadas têm são os pombos do batalhão de Columbofilia 15 da base de Elvas.” Por outro, a autarquia caldense considera que desarmado o míssil perderia parte do seu encanto que consiste precisamente na emoção constante de nunca se saber quando poderá explodir. “Mas não se pense que somos irresponsáveis,” afirma o presidente da câmara, “Precisamente pela hipótese de o míssil explodir é que vai estar rodeado de fogos de artifício para que a explosão proporcione um espectáculo inesquecível aos munícipes e aos turistas que nos visitam.”

A partir de agora, a câmara municipal e a região de turismo do oeste pretendem levar a cabo uma campanha de institucionalização do míssil como ex-libris popular das Caldas da Rainha em vez do pénis de cerâmica. “Estamos fartos de ver esta terra identificada com símbolos fálicos. Agora chegou a vez do míssil das Caldas que ficará para sempre erecto e pronto a entrar em acção ali bem no centro da cidade,” afirmou o bispo de Leiria-Fátima com visível comoção e fervor religioso.


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