Inépcia: s.f. (do latim "ineptia) 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Filme de João Botelho coloca Portugal no eixo do mal

O mais recente filme do realizador português João Botelho está a ser responsável por uma perturbação grave nas relações tradicionalmente cordiais entre Lisboa e Washington. O filme tem como título "A Mulher que acreditava ser Presidente dos Estados Unidos da América" e pretende ser uma comédia absurda à semelhança do penúltimo filme do realizador, "Tráfico" de 1998.

O governo português foi alertado pela embaixada na capital americana que um cartaz do filme, no qual a actriz Alexandra Lencastre sorri embrulhada numa bandeira dos Estados Unidos, chegou às mãos da CIA e, ao que parece, não terá agradado nada à administração de George W. Bush, havendo quem dê como certa a inclusão de Portugal na lista de países do eixo do mal da qual já fazem parte o Iraque, a Coreia do Norte e o Irão.

Um porta-voz do Departamento de Estado americano contactado pela Inépcia escusou-se a confirmar se Portugal passa a partir de agora a ser oficialmente um país do eixo do mal mas admitiu que "os Estados Unidos estão profundamente desgostosos com esta traição de um país que sempre vimos como nosso aliado." O desgosto americano é agravado ainda mais pelo facto de a estreia do filme, a 21 de Março, ter acontecido menos de uma semana depois da cimeira dos Açores em que Durão Barroso, José Maria Aznar, Tony Blair e George W. Bush decidiram o que iam jantar nesse dia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, recebeu já uma carta oficial das autoridades de Washington em que se dá conta dos elementos que mais desagradaram aos nossos aliados do outro lado do Atlântico. Por um lado, o título e o tema do filme são vistos como sendo lesivos para a dignidade dos Estados Unidos e do povo americano. Por outro, considera-se que o facto de Alexandra Lencastre surgir no cartaz embrulhada na bandeira americana é um ultraje ao símbolo máximo do país, algo que é agravado pela indicação subliminar de que a actriz estaria nua por baixo. O realizador João Botelho respondeu a estas acusações considerando que, em primeiro lugar, o filme ainda não estreou nos Estados Unidos e ninguém na administração americana o pode ter visto para dizer que o tema é ofensivo. De igual modo, João Botelho considera que "entre os 11 milhões de portugueses que podiam ter sido fotografados nus embrulhados na bandeira dos Estados Unidos, a escolha de Alexandra Lencastre até foi francamente lisonjeadora" e acrescentou que "se calhar preferiam o Carlos Castro ou a Teresa Guilherme, não?"

Após divulgação da resposta do realizador junto das autoridades americanas, o Departamento de Estado considerou que "não é necessário ver o filme para perceber que o tema é ofensivo", integrando esta posição na política de agressão preventiva que o país tem seguido nos últimos tempos.
O primeiro-ministro português, Durão Barroso, recusou-se a prestar declarações e remeteu os comentários para o ministro da Cultura, Pedro Roseta que, contactado pela Inépcia considerou que "Aaaah... então eu é que sou o ministro da Cultura? Estava convencido de que era secretário de Estado das Obras Públicas. Mas isso também não interessa."


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