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Bagão Félix nacionaliza Liedson, Simão e Costinha

O ministério das Finanças acaba de nacionalizar os jogadores Liedson do Sporting, Simão Sabrosa do Benfica e Costinha do Porto, na sequência do não pagamento das dívidas do Totonegócio.

“Eu avisei,” refere o ministro Bagão Félix, “os clubes tiveram várias oportunidades para regularizar a sua situação. Como não o fizeram, têm de sofrer as consequências.” Esta atitude do ministro vem comprovar a nova postura de Bagão Félix que, nos últimos meses, passou de governante porreiraço e paternalista para tesoureiro afoito e implacável sem qualquer benevolência para com os devedores, mesmo que se trate do Benfica, clube do seu coração e onde aprendeu o significado da palavra “rigor” como membro da direcção de João Vale e Azevedo. Há quem estranhe esta mudança de atitude ter-se feito sentir apenas com as eleições à vista mas terá sido só uma curiosa coincidência.

Os jogadores agora nacionalizados serão mantidos sob caução numa cave do ministério até que os clubes paguem as quantias em dívida. Caso não o façam, reverterão a favor do Estado, podendo ser vendidos a clubes estrangeiros ou aplicados no desempenho de tarefas várias.

Liedson poderá ser recrutado como ponta-de-lança da Direcção-Geral de Contribuições e Impostos e aplicar o seu talento nato para a desmarcação na área ao combate à evasão fiscal. O benfiquista Simão poderá ficar encarregue da ala esquerda do combate ao déficit enquanto que o nome de Costinha é avançado para o cargo de Procurador-geral da República, em que poderá aplicar o seu estilo de jogo musculado à justiça portuguesa. Onde quer que os seus inegáveis talentos sejam aplicados, é certo que este trio de sonho fará muito para aumentar o goal-average do país e talvez até levar Portugal à Superliga da Europa.

Ao que a Inépcia apurou, a direcção do Benfica sugeriu a nacionalização de Paulo Almeida em vez de Simão mas Bagão Félix terá respondido que “para incapazes já nos chega o Telmo Correia,” propondo em alternativa uma troca do médio brasileiro pelo ministro Gomes da Silva que também não acerta uma.