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Santana Lopes anuncia apoio de Nossa Senhora de Fátima ao PSD

O líder social-democrata, Pedro Santana Lopes, esperou até aos últimos dias da campanha eleitoral para tornar público o apoio de Nossa Senhora de Fátima ao partido. Trata-se de um apoio de peso depois de várias figuras conceituadas do PSD se terem demarcado do ainda primeiro-ministro.

Ao que a Inépcia apurou, Santana foi chamado ao convento carmelita que serviu de residência a Lúcia, a vidente de Fátima, pouco antes da sua morte e aí ouviu da boca da vidente palavras de incentivo que proferiu com esforço compreensível. De acordo com Lúcia, na visita semanal que lhe fazia todas as quintas-feiras para chá e bolinhos, Nossa Senhora ter-lhe-á confessado que as entidades sobrenaturais costumam manter a neutralidade em questões políticas mas, se tivesse cartão de eleitor, não hesitaria em confiar o seu voto a Santana Lopes até porque é um homem muito charmoso e Ela, mesmo sendo virgem, não é parva. O líder do PSD ficou ainda incumbido de comunicar aos portugueses que todos os anjos do Céu chorarão lágrimas de sangue se o PSD não continuar no governo. Esta revelação repentina explica a comoção que levou Santana Lopes a cancelar as acções de campanha e a decretar dois dias de luto nacional.

Entretanto, outros líderes partidários tentaram já conquistar o apoio de outras entidades do panteão católico mas sem grande sucesso. José Sócrates entrou em contacto com Jesus Cristo para conseguir uma palavra acerca da necessidade de dar maioria absoluta ao Partido Socialista mas o filho de Deus preferiu manter-se em silêncio, dando continuidade ao seu afastamento da política activa desde a extinção do saudoso Partido da Gente, força ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.

Também Manuel Monteiro procurou apoio sobrenatural, tentando eleger o primeiro deputado para o seu Partido da Nova Democracia, mas Santa Rita de Cássia, padroeira das causas impossíveis, desculpou-se com a agenda muito preenchida e com falta de pachorra para aturar “as parvoíces do Manel.”