Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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O novo governo: Um perfil

Ele aí está. O 16º governo (mais ou menos) constitucional é uma realidade. E agora já não há nada a fazer. Ou melhor, a única coisa a fazer é irmo-nos habituando a ele e aprendendo a viver com as caras novas que vão orientar os destinos da nação durante os próximos dois anos (mais coisa, menos coisa) ou até alguém convidar Pedro Santana Lopes para assumir as funções de Papa.
Para dar uma ajuda ao português comum, a Inépcia apresenta agora um perfil dos principais nomes do novo governo. Sem merdas. Só com o que realmente interessa. Que a nós não nos interessa onde estudou o ministro A, que funções governativas desempenhou o ministro B, o passado de resistente antifascista do ministro C ou as vezes que o ministro D foi acusado de assédio sexual.

Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes

O primeiro-ministro de que Portugal precisava. Um primeiro-ministro habituado a ter grelo. Grelo com manchas de solário e repuxado dos peelings mas grelo na mesma. Há quem duvide da sua competência mas quem precisa de competência quando se conhecem os porteiros da Kapital pelo nome?

Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto

Um veterano das lides políticas e visto por muitos como o garante da credibilidade do governo apesar de negar ser esse o seu papel. Apesar da idade avançada, não comenta se é por sua causa que as reuniões do Conselho de Ministros vão passar a contar com a presença de uma equipa do INEM.

Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar: Paulo Portas

Ele queria ser ministro dos Negócios Estrangeiros. O cenoura não deixou. Depois pensou em ser ministro da Administração Interna. O chato do cenoura voltou a não deixar. Lá se conformou em ficar no mesmo ministério (com a adição dos assuntos do mar para não se aborrecer muito). E ainda bem que assim é. Era triste perder-se a pérola do humor de caserna que leva os militares a dizerem uns aos outros para terem cuidado quando se dobram para apanhar o sabonete no chuveiro não vá alguém mais afoito aplicar-lhes um “senhor ministro.”

Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento

Um dos sobreviventes do governo anterior, Morais Sarmento promete continuar a renovação da sua maneira de estar na política iniciada com a adopção de uma imponente barba. Para o novo mandato, promete começar a pronunciar mal a letra F.

Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix

Transferido da Segurança Social para aquela que muitos apontam como a mais difícil pasta de qualquer governo, Bagão Félix promete aplicar-se e não desistir até ver atingidos os objectivos a que se propõe. A saber: Incluir as idas à missa nos descontos do IRS e tornar obrigatória a apresentação de um relatório ginecológico com a declaração anual de rendimentos de forma a duplicar a carga fiscal sobre as mulheres que já abortaram. Um objectivo secundário será ver quanto tempo levará até ser tão odiado como Manuela Ferreira Leite apesar do sorriso permanente e da cara de professor Pardal.

Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: António Monteiro

O preferido de Santana Lopes para este cargo sempre foi Roberto Leal mas diz-se que Jorge Sampaio se opôs por preferir ver Linda de Suza à frente da diplomacia nacional, usando o seu charme pessoal nas relações com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. António Monteiro foi a alternativa consensual.

Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches

Daniel Sanches começou a sua carreira como figurante em filmes pornográficos de temática histórica. Teve o seu primeiro papel falado em “Babilónia Sexual-História de um Império” e, daí em diante, tornou-se um preferido de vários realizadores portugueses. Santana Lopes viu-o pela primeira vez quando alugou “As Guerras Púbicas-Cus e Mamas em Cartago” dando corpo (e que corpo) ao general cartaginês Mamíbal, célebre pela utilização bélica de mulheres gordas (autênticos paquidermes sexuais) em luta contra o temível e avantajado Cipião, o Africano. Conheceu-o numa festa em Vilamoura e estabeleceu-se uma amizade profunda e duradoura. O convite para o governo era inevitável.

Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut

É prática comum aquando da formação de um novo governo em Portugal, enfiar as várias áreas de governação dentro de um saco e ir tirando uma a uma. As últimas a ficar dentro do saco são remetidas para um único ministério e entregues ao elemento menos carismático do governo. Mas sempre é melhor do que ser ministro adjunto, não é Zé Luís?

Ministro da Justiça: José Aguiar Branco

Um ministro em estado de graça. Ninguém sabe muito bem quem é, de onde veio, o que pretende fazer ou o motivo por trás daquela cara de maldisposto. Mas depois de Celeste Cardona, até a nomeação de Joaquim Monchique para ministro da Justiça seria bem recebida.

Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos Costa Neves

É a primeira vez que Portugal tem um ministro que resulta do cruzamento entre um javali e uma vaca leiteira açoriana mas isso não quer dizer que não possa ser um ministro bastante competente. E, pelo menos, sentir-se-á à vontade para lidar com os assuntos da pecuária. Quanto mais não seja por motivos familiares.

Ministra da Educação: Maria do Carmo Seabra

Maria do Carmo foi uma escolha infeliz para a pasta da Educação. Não se escolhe para este cargo, habitualmente tão sujeito a contestação e a rimas brejeiras feitas com o apelido do ministro, uma mulher chamada Seabra. Mais infeliz só a escolha de Graça Carvalho para ministra responsável pelo ensino superior.

Ministra da Ciência e Inovação e Ensino Superior: Graça Carvalho

Outra sobrevivente do governo anterior. Não por reconhecimento da qualidade do seu desempenho mas porque a ministra é tão discreta que ninguém se lembrou de a substituir. Agora já é tarde.

Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira

Poder-se-ia estabelecer um paralelo entre Luís Filipe Pereira e a sua colega da Ciência e Ensino Superior. Se Graça Carvalho não foi substituída porque ninguém se lembrou dela, Luís Filipe Pereira permanece à frente da Saúde porque mais ninguém quer o cargo. Quanto às suas qualidades governativas, só podemos dizer uma coisa. Mas é difícil dizê-la por aqui sem recurso a linguagem gestual.

Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão

O ex-director da Polícia Judiciária mostra-se disposto a aplicar a sua experiência numa área tão sensível como esta. Órfãos, mães adolescentes, desempregados e idosos, ponham-se na linha! Isto se não quiserem ir todos passar uma temporada aos calabouços sombrios que estão a ser construídos na cave do ministério da Segurança Social.

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia

Vivemos no século XXI. Nenhum governo moderno que se preze pode subsistir sem contar entre as suas fileiras com o gestor géniozinho yuppie bem-sucedido mete-nojo com ar de quem faz jogging de manhã, ouve música clássica e trata os filhos por “você.” António Mexia cumpre esse papel na perfeição.

Ministra da Cultura: Maria João Bustorff

Em pequena, Maria João partilhava com a sua irmã Ana a vontade de aparecer. Mesmo não tendo nascido tão feia como Ana Bustorff, Maria João exige saber o nome das pessoas com quem vai para a cama, uma falha incompatível com a profissão de actriz. Sendo assim, restava-lhe a política.


Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes

-Mor?
-Sim?
-Já estás a dormir?
-Já.
-Ó mor... falaste com o Pedro?
-Falei.
-E então?
-Olha que ser ministro não é tão fácil como tu pensas.
-Eu sei, mor. Mas gostava de experimentar na mesma.
-Está bem pronto. Depois não digas que não avisei. Que tal a Cultura?
-A cultura não, mor! É uma chatice.
-Então só se for o Ambiente.
-É o melhor que se arranja?
-Já sabes como é. Os melhores estão todos ocupados.
-Então pronto. Pode ser, mor. Até amanhã Paulo.
-Dorme bem, Luís.

Ministro do Turismo: Telmo Correia

-Mor?
-O que foi agora?!
-Estava e pensar... Então e o Telmo? Não se arranja nada para ele? Sabes que ele tem problemas lá em casa. Fazia-lhe bem.
-Vou pensar. Agora dorme.
-Sim, mor.

Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves

Nos seus tempos de mocidade, Pedro Santana Lopes não era obviamente o político cordial e mentalmente esclarecido que hoje conhecemos. É frequente haver crianças que exteriorizam as suas frustrações pessoais expondo ao ridículo colegas mais tímidos ou de aparência peculiar. Isso não faz deles más pessoas. Também Santana Lopes passou por isso. No seu caso, a vítima era um rapaz gordo, feio, com um cabelo esquisito e que não devia muito à inteligência. Chamavam-lhe “Bacorinho,” alcunha cruel que muitas vezes o fez fugir da escola a chorar. Mas isso já lá vai. Passados tantos anos, o “Bacorinho” já perdoou ao colega Pedro. Sobretudo depois de este o ter nomeado ministro como compensação pelas maldades de outros tempos.

Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva

Rui sempre quis ser ministro. Desde pequeno que sonha em fazer parte de um governo e poder dar o seu contributo para o desenvolvimento do país e para melhorar as condições de vida dos portugueses. Foi portanto com euforia compreensível que recebeu o convite de Santana Lopes. O problema é que Rui Gomes da Silva não é mesmo ministro. Apenas acredita que sim. E vai continuar a acreditar até alguém ganhar coragem para lhe explicar que tudo não passou de uma brincadeira.

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