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PSD e CDS oficializam Henrique Chaves como único bode expiatório

As direcções dos dois partidos da coligação governamental, PSD e CDS, estabeleceram um acordo que define como único responsável pela queda do executivo, o ex-ministro Adjunto, Henrique Chaves, cujo pedido de demissão foi o catalisador para a dissolução do Parlamento por Jorge Sampaio.

Esta medida visa pôr fim à troca de insinuações maldosas cada vez mais frequente entre personalidades ligadas aos dois partidos, acusando os parceiros de coligação pelo fracasso. A partir de agora, sempre que um elemento de qualquer dos partidos sentir necessidade de atribuir publicamente culpas pela queda do Governo a alguém, deverá referir o nome do ex-ministro de Santana Lopes.

Para o próprio Henrique Chaves, “apontarem-me como único culpado não corresponderá inteiramente à verdade mas fico contente por voltarem a falar em mim. Já há muito tempo que não o faziam.” A Inépcia encontrou o homem que sociais-democratas e centristas adoram odiar no urinol público onde trabalha, tendo a responsabilidade de evitar que o fluxo de urina não transborde para a via pública. A sua intenção inicial era voltar às funções que ocupava antes de ter aceite o convite para integrar o Governo mas, depois da polémica que rodeou a sua demissão, depressa se apercebeu de que os muitos amigos que normalmente se aproximam de um ex-ministro e se apressam a oferecer-lhe posições bem remuneradas preferiam evitá-lo e fazer de conta que não o conheciam.

O acordo agora assinado estabelece ainda que Henrique Chaves não será apontado apenas como responsável pelo fim do governo de coligação PSD-CDS mas também como estando por trás do maremoto no extremo Oriente, da derrota da selecção na final do Euro e da participação de Cláudio Ramos em programas televisivos. Existe ainda uma cláusula segundo a qual, Henrique Chaves poderá ser culpado por todas as catástrofes naturais, acidentes de viação e aéreos, ataques terroristas, operações plásticas de Lili Caneças e concertos de Tony Carreira que venham a acontecer daqui para a frente. Se o ex-ministro Adjunto não estiver disponível para suportar as culpas, o seu suplente será Daniel Campelo, o tristemente célebre deputado do CDS que viabilizou um orçamento do governo de António Guterres em troca de benefícios para Ponte de Lima.