E-zine satírico sem corantes nem conservantes

A caixinha que mudou o mundo

O mundo seria melhor se eles não aparecessem na televisão

Catarina Furtado

A notícia da gravidez de Catarina Furtado alegrou-me profundamente. Normalmente, não me diz nada saber que esta ou aquela celebridade vai assegurar a continuidade do seu código genético à face da Terra e pôr um rebento no mundo. Mas, desta vez, foi diferente. E tudo por pensar que, devido à gravidez e pelo menos durante uns dias, Catarina Furtado terá de suspender as suas aparições televisivas. Lembro-me de a ver apresentar o “Top +” na RTP ou saltar de um helicóptero na “Caça ao Tesouro” da SIC, envergando uns calções sugestivos, e pensar “Mas que bela rapariga. Gostava de a ver mais vezes.” Não tenho palavras para descrever o arrependimento que agora sinto. O marinheiro que, em pleno século XIV, libertou uma ratazana de estimação capturada na Crimeia por ter pulgas, dando assim origem à pandemia de Peste Negra, não sentiu tanto arrependimento como eu. Tenham muito cuidado com o que desejam.

Rita Ferro Rodrigues

A filha do ex-ministro Ferro Rodrigues começou a sua carreira profissional a segurar microfones na RTP. Mais tarde, passou a segurar microfones na SIC, actividade que mantém até hoje. Antes de se embrenhar pelo mundo mágico da televisão, passou também algum tempo a segurar no microfone de Dani, precoce estrela do futebol (tão precoce que terminou a carreira aos 27 anos por não estar para aí virado). Vozes maldosas referiram várias vezes que o início de carreira se deveu ao cargo governativo que o pai ocupava, não se dando sequer ao trabalho de verificar que a sua colaboração com a RTP começou ainda durante a vigência do governo de Cavaco Silva. Portanto, não se tratou da habitual cunha mas sim de mérito próprio e reconhecimento das suas qualidades inatas como jornalista e comunicadora enriquecidas por um belo sorriso espontâneo e cheio de dentes. A cunha era uma explicação muito mais racional, não era?

Rodrigo Guedes de Carvalho

Se a literatura tivesse cheiro, os livros de Rodrigo Guedes de Carvalho teriam de estar selados dentro de saquinhos estanques de potpourri para evitar que um aroma pútrido empestasse todas as livrarias do país. “Daqui a Nada” (“Os Broncos Também Escrevem 1”) envolto numa mistura de pétalas de rosa e jasmim e “A Casa Quieta” (“Os Broncos Também Escrevem 2”) em rebentos de laranjeira, alecrim e salva. A recente antestreia no Fantasporto de “Coisa Ruim,” filme de terror (e que assustador deve ser) escrito por Rodrigo provocou um fedor na Invicta como não se sentia desde que, em 1809, as tropas francesas do General Soult decidiram usar a cidade para armazenar a provisão de queijo Rochefort de todos os exércitos napoleónicos. Mas tudo lhe seria perdoado se nos facilitasse a vida a todos e passasse a quadricular a cara de charrua que lhe calhou como prémio de consolação na grande quermesse celestial sempre que aparece na televisão, tal como fazem as vítimas de abuso sexual e violência doméstica. Assim, o país e o mundo até começavam a parecer sítios mais bonitos.

Bárbara Guimarães

Muitos dirão que deixar Bárbara Guimarães apresentar programas sobre livros é como entregar a condução de um magazine de puericultura a Paulo Pedroso ou pôr Mário Jardel a dar dicas sobre gestão de património. Por um lado terão razão, por outro nem por isso. Pode ser ridículo mas com um pouco de sentido de humor tudo se torna perfeitamente aceitável. Deixem lá a rapariga sentir-se intelectual. É uma caridade que se lhe faz. Podia dar-lhe para pior. Imaginem que se dedicava à política, por exemplo.

Nuno Eiró

Há pessoas com piada na televisão. Não vale a pena falar em nomes até porque isto de se achar piada a alguém ou não é uma coisa muito subjectiva. No entanto, gostava que houvesse uma forma inequívoca de provar a Nuno Eiró que não tem tanta piada como acha que tem. Ou, melhor ainda, que não tem piada nenhuma. Talvez com uma equação matemática (lanço o desafio aos matemáticos do país, vá lá, ponham essas cabeças e calculadoras a funcionar) ou por qualquer outro meio que o convença de que aquela capacidade inata e rechonchuda para o gozo indiscriminado pode agradar às personagens que entrevista e que assim se sentem magnânimas por saberem rir da sua triste figura, mas está longe de ser consensual entre as pessoas com mais do que 7% do cérebro em perfeito funcionamento. E o facto de ter como colegas no programa “Êxtase” da SIC uma selecção de deficientes profundos a participar num programa de reinserção na sociedade através do trabalho televisivo, também ajudará a inflar ainda mais um ego que não fica a dever muito em conteúdo gasoso ao dirigível Hindenburg. Resta esperar que tenha o mesmo fim. “Oh, the humanity!”

Fátima Lopes

Proponho-vos um exercício. Visualizem Mahatma Gandhi e, logo a seguir, pensem numa palavra. Resistência? Pacifismo? Muito bem. Pensem em agora em Rosa Mota e noutra palavra. Campeã? Maratonista? Está bem. Façam agora um esforço para pensar na apresentadora de televisão Fátima Lopes. Pensem numa palavra. Lá está. Conseguiram pensar em qualquer coisa que não fosse um palavrão? Aposto que não. Ao longo dos anos, nunca ninguém percebeu quais os méritos que justificam a longevidade da carreira televisiva de Fátima Lopes, nem a própria (não que isso a preocupe grandemente). Em tempo suficiente para fazer dela uma autêntica veterana, apenas uma qualidade lhe pode ser reconhecida: a constância. Quando substituiu Alexandra Lencastre como anfitriã de “All You Need is Love” (programa que fez John Lennon voltar à vida e deslocar-se a Carnaxide para ajustar contas antes de ser capturado e transformado em folhados de salsicha servidos a José Figueiras) tinha exactamente a mesma ausência completa de carisma, à-vontade e telegenia que continua a revelar hoje à frente de um programa homónimo.

Nilton

Há alguns anos atrás nos primórdios da Inépcia, tive oportunidade de trocar ideias com o Nilton. A propósito de um comentário menos favorável ao trabalho dos dois primeiros portugueses a afirmarem-se como praticantes da comédia “stand-up” (o outro era Pedro Tochas), Nilton enviou-me um email, explicando que a minha opinião sobre os seus dotes humorísticos não tinha qualquer valor por nunca ter assistido a um espectáculo seu. Apesar de o princípio da coisa até estar correcto, respondi com recurso a uma metáfora, dizendo-lhe que, quando vejo um amontoado de dejectos a embelezar o passeio, não sinto necessidade de me ajoelhar no chão e cheirar para saber que o aroma não será dos mais agradáveis e acrescentando que preferia gastar o dinheiro de forma mais útil, por exemplo, para pagar um clister de ácido clorídrico. A nova resposta não tardou e Nilton prontificou-se a oferecer-me bilhetes para assistir ao espectáculo. Tornei a responder, perguntando-lhe se, levando os bilhetes oferecidos à bilheteira, me entregariam a quantia correspondente ao preço destes e ficámos por aí. Não houve mais respostas. Os anos foram passando e Nilton começou a aparecer na televisão. Primeiro no “Levanta-te e Ri” e, mais tarde, no seu próprio programa, o “K7 Pirata.” Duvido que ainda se lembre deste episódio mas, nas ocasiões infelizes em que me deparo com ele na televisão, não consigo evitar questionar-me se pensará ter provado de forma inquestionável o seu valor. Afinal de contas, apresenta um programa de vídeos caseiros, juntando o seu nome aos de grandes ícones da comédia como Virgílio Castelo ou Cláudio Ramos. Mas isto pode ser só a inveja a falar…

Fernando Mendes

Tenho um sonho. Mas, contrariamente ao sonho de Martin Luther King, o meu não tem nada a ver com direitos civis. Mesmo não sendo tão nobre, estou convencido de que o meu sonho conseguiria fazer feliz muita gente. Passo a explicar. Gostava que, um dia, durante gravação do concurso “O Preço Certo em Euros,” o apresentador Fernando Mendes começasse a inchar, a inchar, a inchar cada vez mais até rebentar, cobrindo os concorrentes com pedaços das suas entranhas e o público com o conteúdo da sua última refeição (seria mais do que suficiente para os cobrir a todos). A seguir, gostava de ver Serenella Andrade e Fátima Campos Ferreira nuas a degladiarem-se com violência num combate de luta greco-romana sobre os restos mortais do ex-colega. Sei que as hipóteses de isto acontecer são escassas mas enquanto há vida, há esperança…

www.inepcia.com