Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Operação "Carne para Canhão" segue em frente

O envio de soldados da GNR para o Iraque integrados nas forças da coligação internacional deverá seguir em frente apesar do clima de insegurança, de acordo com fonte do ministério da Administração Interna entrevistada à saída de uma retrete portátil instalada no Campo de Santana em Lisboa. A operação baptizada com o nome “Carne para Canhão” terá como objectivo contribuir para a manutenção das condições mínimas de segurança num país onde ainda se fazem sentir os efeitos de uma transição política problemática e onde a anarquia é uma possibilidade constante.
A Inépcia contactou o ministro Figueiredo Lopes no jardim onde costuma jogar às cartas com outros veteranos das guerras napoleónicas e apurou que há confiança nas capacidades dos operacionais da GNR para levar a cabo tão difícil tarefa. “Há confiança nas capacidades dos operacionais da GNR para levar a cabo tão difícil tarefa,” afirmou o ministro, jogando uma manilha de espadas e acrescentando que “a operação Carne para Canhão foi planeada com todo o cuidado e tendo em conta as precauções necessárias para que tudo corra da melhor forma.”

Ao que apurámos, estas “precauções” consistem em acordos com várias agências funerárias para efectuar uma trasladação rápida dos restos mortais dos guardas que possam eventualmente perder a vida em combate. De igual forma, o governo já adquiriu vários sacos herméticos de transporte de cadáveres, caixões e urnas de vários tamanhos. Para além de tudo isto, os discursos oficiais de pêsames bem como as cartas a enviar às viúvas e restantes familiares também já estão escritas, tendo sido os textos encomendados ao humorista e poeta popular Fernando Rocha para evitar “estados depressivos desnecessários.” A Inépcia teve acesso a um exemplar de carta de condolências que começa da seguinte forma: “Ó amigo/dona, ouvi dizer que o seu marido/filho/pai/irmão esticou o pernil lá para as Arábias. Não se chateie que o pior já passou. A esta hora está ele regaladinho a levar no bujão de Nosso Senhor JC. Puta que o pariu. Ouve lá!”

José Manageiro, presidente da Associação de Profissionais da GNR (APG) considera que os homens que representa não têm o treino adequado para lidar com situações como as que se vivem todos os dias no Iraque e desconfia que “o Governo sabe disso e não hesita em colocar as nossas vidas em risco,” afirmações de imediato contrariadas pelo ministro com toda a veemência numa carta em que aproveitou para questionar o presidente da associação acerca das preferências de cada um dos militares por um enterro tradicional ou pela cremação.

Outro motivo de descontentamento para a GNR foram os comentários insultuosos de Paul Wolfowitz, sub-secretário da Defesa americano, que aludiu à semelhança entre os nomes da Guarda Nacional Republicana e da Guarda Republicana de Saddam Hussein. “Não se admite que gozem com uma instituição honrada como a GNR desta maneira. Toda a gente sabe que o modo correcto de gozar com a GNR é com alusões ao tamanho das barrigas e dos bigodes e com insinuações de corrupção,” refere José Manageiro. De qualquer forma, a embaixada dos Estados Unidos em Lisboa já esclareceu a APG de forma satisfatória, afirmando que o governo de Washington sabe distinguir entre a guarda republicana portuguesa e iraquiana em carta enviada para Bagdad.

Recorde-se que os militares da GNR vão ser integrados numa brigada de carabinieri italianos, brigada essa que será dividida em grupos aos quais será atribuída uma letra do alfabeto de acordo com a sua relevância para as operações. O grupo constituído pelos elementos da GNR será o Z e caber-lhe-á afiar os lápis das forças da coligação.

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