Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Durão Barroso quer reforçar democracia iraquiana com oposição portuguesa

O primeiro-ministro Durão Barroso desistiu do envio de tropas portuguesas para o Iraque para desempenhar funções humanitárias e ajudar a normalizar a situação e propõe agora que os deputados e militantes de partidos da oposição sejam enviados para aquele país do médio oriente com o objectivo de ajudar a consolidar o novo regime democrático iraquiano que vai nascer mais década menos década.

“Isto é para mostrar a todos aqueles que me acusam de ser casmurro e de não ter a frontalidade necessária para desistir de uma posição impopular que não sou assim,” afirmou o líder do governo.
Durão propõe que, numa primeira fase, os deputados da oposição sejam colocados à disposição das forças da coligação internacional até que estejam consolidadas as estruturas democráticas do Iraque. Até lá, os políticos portugueses poderiam dar um contributo valioso para a reconstrução do país, fornecendo trabalho graçal gratuito.

A ideia terá surgido com a constatação de que, quando a oposição a Saddam Hussein, e as várias oposições a essa, desempenharem cargos governativos, o país ficará sem forças políticas da oposição, podendo a oposição nacional desempenhar um cargo de importância incontornável para o funcionamento adequado da democracia iraquiana que lhe granjeará a gratidão de todo um povo.

Lino de Carvalho, deputado do PCP, considera um “verdadeiro ultraje” a sugestão do primeiro-ministro. “É uma atitude que não surpreende vinda de alguém que não tem qualquer cultura democrática nem respeito pela diversidade de opiniões,” afirmou. Também o deputado do Bloco de Esquerda Luís Fazenda, declarou à Inépcia ainda não estar informado sobre a situação mas “se se trata de uma proposta de Durão Barroso, por princípio, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda é contra.”
Ferro Rodrigues, secretário-geral do PS, o maior partido da oposição, foi mais comedido na reacção e até reconheceu algum mérito à proposta do primeiro-ministro, dando conta da disponibilidade do seu partido para colaborar na normalização da situação iraquiana. “Infelizmente, não posso deslocar-me pessoalmente ao Iraque porque a minha filha Rita está no hospital a recuperar de uma deslocação do maxilar provocada por um sorriso prolongado por tempo a mais,” explicou.

Durão Barroso desvaloriza as críticas e remete-as para o campo da “má vontade política e estreiteza de ideias a que alguns partidos da nossa oposição já nos habituaram mas que não lhes retira qualidades para ajudarem a democracia iraquiana.” Quanto ao facto de, no caso de a sua proposta ser aceite, Portugal ficar sem uma oposição, o primeiro-ministro considera que “o país não precisa de oposição neste momento particular da nossa história. Os portugueses têm confiança plena no seu governo. A oposição faria falta se, por exemplo, tivéssemos um executivo composto por pessoas de competência duvidosa e sobre algumas das quais recaíssem fortes suspeitas de compadrio e corrupção.”


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