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Jorge Sampaio consegue esgotar lendária “paciência de chinês”

O Presidente da República conseguiu adormecer uma plateia de cerca de oitenta convidados com um discurso subordinado ao tema “Portugal e o Oriente: Plataformas de Entendimento e Solidariedade para um Futuro Harmonioso” durante a visita oficial que efectuou à República Popular da China.

A proeza ocorreu no salão nobre de um hotel em Xangai onde Jorge Sampaio discursou para um misto de empresários portugueses e chineses durante aproximadamente 45 minutos. Após uma referência introdutória à história comum dos dois países, com especial relevo para a questão de Macau, território chinês sob administração portuguesa entre o século XVI e finais do século XX, verificou-se que mais de metade dos presentes já se encontravam num estado de sono profundo, ouvindo-se até um ou outro ronco ocasional. No lote dos adormecidos, incluíam-se também os empresários portugueses que, habituados aos dotes retóricos analgésicos do chefe de Estado, adormecem logo ao fim da primeira frase.

Este facto não deixa de ser surpreendente visto que os chineses sempre tiveram reputação de conseguir suportar estoicamente tarefas enfadonhas sem perder a atenção necessária, característica que deu origem entre nós à popular expressão “paciência de chinês.”
No fim do discurso, Sampaio agradeceu e retirou-se, depois de acordar os restantes membros da sua comitiva, enquanto que os empresários chineses só acordaram várias horas depois visivelmente atordoados.

A surpresa provocada por este talento do Presidente português desconhecido em terras do Oriente (o Presidente e o talento) foi tal que todos os jornais chineses noticiaram o acontecimento, provocando uma onda de curiosidade popular e uma afluência em massa às paragens seguintes da visita, sempre que estavam agendados novos discursos. Além disso, uma das maiores companhias de circo do país, o Circo Wao Xian, convidou Sampaio para integrar o espectáculo com honras de primeira figura numa digressão em que adormeceria plateias imensas um pouco por toda a China e com deslocações eventuais ao estrangeiro.

O Presidente da República declinou o convite devido ao compromisso assumido para com o povo português mas mostrou-se sensibilizado e não negou colaborações futuras quando estiver liberto dos seus deveres oficiais. Entretanto, a Inépcia sabe que Sampaio indicou o nome do presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, para ocupar até lá o seu lugar na digressão, mostrando-se confiante de que este conseguirá adormecer, pelo menos, metade da plateia com o seu lendário carisma açoriano.