E-zine satírico sem corantes nem conservantes

Protecção Civil promete acções de pânico concertado contra futuros sismos

O Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) anunciou estar a ultimar medidas relativas à possível ocorrência de abalos sísmicos de grande intensidade num país historicamente propenso a este tipo de fenómeno como é Portugal. Com a consciência de que um terramoto pode gerar uma onda de pânico, a Protecção Civil pretende usar esse pânico de forma positiva e construtiva.

Manuel João Ribeiro, presidente do SNBPC, explica que “os tremores de terra não se podem prever e, se forem de grande intensidade, é difícil evitar os estragos. Sendo assim, o melhor que podemos fazer é aproveitar o pânico que acompanha este tipo de acontecimento dando largas à criatividade.”

Mas as medidas não se limitam a aproveitar o pânico posterior a um grande terramoto. De acordo com o plano de actividades do SNBPC agora revelado, pretende-se ir criando gradualmente um clima de pânico mais ou menos generalizado em relação à possibilidade sempre presente de ocorrência de um sismo como o que destruiu a cidade de Lisboa em 1755, de forma a que, quando o sismo ocorrer realmente, o pânico já exista e não se instale de forma inesperada. Como é sabido, poucas coisas há piores do que pânico inesperado.

Para atingir este objectivo, a Protecção Civil lançará uma campanha à escala nacional com o objectivo de mostrar aos portugueses que não estão seguros e que, quando menos esperam, pode dar-se um terramoto que destrua totalmente a sua vida, com perdas de vidas entre familiares e amigos próximos e com danos avultados nos seus pertences, incluindo o carro novo com que passou anos a sonhar e que nem tirava da garagem com medo que se estragasse.

Em breve começarão a ser enviados por correio brochuras informando acerca das mil e uma mortes possíveis como consequência de um terramoto, ilustradas com fotografias da destruição provocada por grandes sismos recentes, imagens que também poderão ser vistas em anúncios institucionais transmitidos pelos vários canais de televisão mas com especial incidência na TVI que se prepara para assumir o papel de “televisão oficial das calamidades naturais,” apoiando as iniciativas do SNBPC em troca de direitos de exclusividade sobre grandes planos de escombros, acompanhamento das operações de resgate de sobreviventes e entrevistas em primeira mão com os cadáveres.

Existirá ainda uma acção de divulgação junto das escolas primárias de todo o país que terá como objectivo ensinar às crianças que, a inocência típica da infância não os livrará de uma morte atroz.
Em relação aos críticos desta iniciativa que insistem que seria melhor levar a cabo uma campanha preventiva de esclarecimento, Manuel João Ribeiro lembra que “os terramotos tanto podem acontecer daqui a anos como amanhã e, se acontecerem amanhã, já é demasiado tarde para falar em prevenção.”