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Escalada de violência israelo-árabe dá lugar a escalada de partidas de mau gosto

Depois da cessação de hostilidades acordada entre israelitas e palestinianos na cimeira de Sharm-el-Sheikh, a situação não está tão calma como se poderia esperar. É verdade que os confrontos acalmaram mas o martirizado povo da Terra Santa tem de viver com um novo flagelo: as partidas de mau gosto.

Que o diga Moshe Yakav, sargento do exército israelita responsável por um posto de controlo à entrada de Jerusalém. Há alguns dias atrás, confiante no cumprimento do cessar-fogo, afastou-se do posto com os colegas durante breves minutos para posar para a fotografia de um deles. Quando voltaram, encontraram o seu carro de assalto completamente embrulhado em papel higiénico. “Nem sei como tiveram tempo de fazer uma coisa destas em tão pouco tempo,” afirma, “É terrível.”

A retaliação não tardou. A mesquita principal de Ramallah foi pintada de alto a baixo com tinta cor-de-rosa fluorescente durante a noite para desespero dos locais. E os exemplos seguem-se a uma velocidade estonteante. Refira-se, por exemplo, o tanque israelita em Jenin dentro do qual foram despejados 800 litros de espuma de barbear ou a aplicação de cola de secagem lenta na superfície do Muro das Lamentações em Jerusalém com efeitos dramáticos para os judeus que ocorrem àquele lugar santo para tocar o muro com a testa como parte do seu ritual de oração.

As autoridades de ambas as partes mostram preocupação e estudam um meio de acabar com esta troca de brincadeiras de gosto duvidoso. O ministro do Interior de Tel-Avive, Ophir Pines-Paz, deslocou-se até Ramallah para avaliar a situação e discutir uma solução com a Autoridade Palestiniana mas regressou coberto de ovos e farinha. Também houve tentativas de conciliação do lado palestiniano com o próprio Mahmoud Abbas a visitar o colonato judeu de Efrat, onde foi recebido com honras de chefe de estado ou, pelo menos, assim parecia, até lhe ser dado a provar o que disseram ser o prato típico do colonato e que mais não era do que uma mistura de água, farinha, areia e óleo de fígado de bacalhau que o líder palestiniano não evitou cuspir depois da primeira colherada, borrifando toda a comitiva para diversão dos que assistiam ao evento.

Está já marcada uma conferência para o próximo mês em que se tentará encontrar uma solução entre as duas partes e sob mediação do rei Abdullah da Jordânia que se mostrou disponível desde o primeiro momento mas só poderá participar logo que descubra quem rapou a pelagem dos dromedários reais e, segundo fonte do palácio de Amã, “destruiu completamente o amor próprio dos bichos.”