Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Homem defraudado por método infalível para aumentar tamanho do pénis

Aviso: Este texto contém momentos de humor brejeiro devidamente sublinhados. Os leitores mais sensíveis deverão saltar os ditos trechos. Obrigado.

Nos últimos tempos, os utilizadores da internet de todo o mundo têm visto as suas caixas de correio electrónico inundadas com centenas de mensagens que anunciam métodos para aumentar o tamanho do pénis. Essas mensagens são enviadas de forma absolutamente arbitrária como se pode verificar pelo facto de também haver mulheres a recebê-las (*) e homens que não precisam de recorrer a tais métodos para ter um membro de tamanho impressionante (como o autor deste texto).

No entanto, há pessoas que levam esta correspondência indesejada a sério e não hesitam em pôr em prática os métodos anunciados. João, nome fictício, é uma dessas pessoas. Há cerca de três meses, decidiu responder a um destes emails, solicitando mais informações, visto que, desde jovem, sempre se sentiu incomodado com as dimensões modestas da sua virilidade. Algumas semanas depois, encomendou uma embalagem de cápsulas milagrosas que, supostamente, lhe aumentariam o tamanho do órgão de forma considerável e efectuou o primeiro de vinte pagamentos de cinquenta euros.

“No princípio, tudo correu bem,” recorda, “Tomava uma cápsula por dia como mandava o folheto que veio junto com o frasco e ao quarto dia já se notava uma diferença no tamanho. A minha auto-estima aumentou do dia para a noite. Sentia-me um novo homem. O pior veio depois.”

Como é habitual neste tipo de esquemas envolvendo drogas milagrosas, existem sempre efeitos secundários indesejáveis. Ao sexto dia, e quando o membro viril de João tinha já atingido umas dimensões que não o envergonhariam num balneário cheio de actores porno, notou que havia mais alguma coisa diferente para além do tamanho. A meio da noite, foi acordado por uma voz aguda que murmurava algo incompreensível. Levantou-se alarmado e procurou um intruso. Não o achou mas a voz continuava. Finalmente, e com assombro, compreendeu de onde vinha. O seu próprio pénis tinha adquirido o dom da fala e a voz, inicialmente abafada pela roupa, repetia constantemente a palavra “gajas” como se estivesse a repetir um slogan. A partir de então, a situação começou a degradar-se. Em pouco tempo, o pénis de João passou da simples repetição de uma palavra para uma série de monólogos constantes e embaraçosos, visto que a sociedade em que vivemos não está preparada para um homem com um pénis falante e muito menos para um homem que segura os genitais com as mãos em plena via pública, gritando “CALA-TE, CARALHO!”
“É insuportável. A minha vida sentimental que antes já não era famosa agora está completamente em fanicos. Todas as mulheres que demonstram interesse por mim acabam por me evitar quando ele começa a gritar coisas como ‘Então? Ainda falta muito para a queca?’ Tenho mais que fazer aqui em baixo!’ no meio de um jantar num restaurante fino,” explica João com mágoa.

A Inépcia contactou a empresa responsável pela comercialização das cápsulas e fomos informados de que a possibilidade de o pénis começar a falar é um dos efeitos secundários descritos na literatura que acompanha a embalagem, juntamente com a queda total ou parcial do órgão ou com a aquisição de uma cor esverdeada por este. Alguém que se identificou como responsável pelo departamento de relações públicas da empresa acrescentou que João “pode dar-se por muito satisfeito por ainda o ter preso ao corpo.”

Júlio Machado Vaz, sexólogo mediático, considera que é normal um homem sentir-se descontente com o tamanho do seu pénis “mas as mulheres não ligam tanta importância a isso até porque se ligarem podem sempre vir ao meu consultório e saem de lá bem aviadas com certeza.” O sexólogo preferido dos portugueses adiantou ainda que “ser sexólogo é óptimo para conhecer mulheres” e que “é impressionante a quantidade de mulheres que cai na velha história de que é possível ver se podem ter orgasmos múltiplos através de um exame da área genital efectuado com a língua,” continuando com um relato minucioso das suas aventuras sexuais dos últimos sete meses, forçando-nos a deixá-lo a falar sozinho quando começou a espumar da boca e a revirar os olhos.

Quanto a João, terá de continuar a enfrentar o seu problema sozinho até que seja encontrado um tratamento. Recentemente, chegou a pensar que a situação se tinha resolvido quando conseguiu manter o pénis em silêncio tempo suficiente para chegar a “vias de facto” com uma mulher mas no momento chave, os gritinhos de “uma destas nunca tinha visto” vindos do seu baixo ventre estragaram o clima e ofenderam a sua parceira.

*-A maior parte das mulheres é desprovida de pénis.

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