Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Ministério da Saúde importa pneumonia atípica

O ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, anunciou que o seu ministério se prepara para importar algumas doses do vírus responsável pela síndrome respiratória aguda severa, mais conhecida como pneumonia atípica, a doença que tem captado a atenção do mundo nos últimos tempos. O ministro justifica esta medida com a progressão da doença pelo mundo e pelo número crescente de casos já registados em países europeus. “Há cada vez mais países na Europa com casos de pneumonia atípica e este governo não vai deixar Portugal ficar mais uma vez atrasado em relação aos congéneres europeus. Por isso, decidimos tomar a dianteira de forma voluntária até porque, mais tarde ou mais cedo, a doença há-de cá chegar,” afirmou o ministro.

A decisão terá sido tomada pelo ministro da Saúde em estreita colaboração com o primeiro-ministro Durão Barroso durante uma sessão de Trivial Pursuit no palácio de São Bento que acabou com um empate visto que nenhum dos jogadores conseguiu responder correctamente a uma única pergunta, tendo sido um jogo bastante agradável, de acordo com Luís Filipe Pereira, porque “é giro brincar com os queijinhos à volta do tabuleiro e atirar os cartões com as perguntas para ver se voam.”

O governo português já estabeleceu contactos com o governo de Singapura, um dos estados mais afectados pela doença, para proceder à aquisição de amostras do vírus. Ao que a Inépcia apurou, as autoridades daquele país do sudeste asiático terão reagido com alguma apreensão à proposta, tendo sugerido em alternativa a venda de grandes quantidades de calçado desportivo, relógios digitais e componentes para computadores mas acabaram por aceder a vender o vírus porque, de acordo com fonte do governo de Singapura, “nós até a nossa mãe vendíamos se a oferta fosse razoável.”

Depois de chegar a Portugal, o vírus começará a ser aplicado nos sistemas de ar-condicionado de centros comerciais e hipermercados de todo o país o que, conhecendo-se o apetite dos portugueses por este tipo de espaços, garantirá uma rápida dispersão do vírus. Além disso, poucos portugueses perderão a oportunidade de contribuir para a propagação da epidemia naquele a que muitos já chamam o novo desígnio nacional a par do Euro 2004.

A medida do governo teve já o apoio incondicional de alguns sectores da sociedade. Por um lado, o Sindicato dos Fabricantes de Máscaras Cirúrgicas (SFMC) afirma que o governo pode contar com o seu apoio incondicional e imparcial. Por outro, uma parte considerável dos profissionais da comunicação social considera que o eclodir de uma epidemia de pneumonia atípica em Portugal será a oportunidade ideal para aplicar a quantidade imensa de títulos bombásticos em que têm pensado nos últimos tempos e, entre os quais, merecerão destaque: “Portugal na rota da pneumonia atípica”, “A pneumonia atípica está quase aí” e “VAMOS TODOS MORRER! FUJAM PARA O MAR! COMETA SUICÍDIO E AJUDE OS SEUS A MORRER SEM SOFRIMENTO!”

Também o governo americano manifestou o seu apoio a esta medida que “irá contribuir de forma válida para concentrar a atenção do público em causas relevantes e desviá-la de coisas que possam não estar a correr muito bem pelo mundo fora (Médio Oriente incluído) apesar de não nos lembrarmos de nada assim de repente.”
Quanto ao cidadão comum, há poucos países em que as pessoas gostem mais de pânicos irracionais do que em Portugal e, por isso, os próximos tempos prometem ser animados.
Uma campanha de esclarecimento sobre os sintomas, perigos e tratamentos possíveis da doença ficará para outra altura.


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