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Paulo Portas demite-se para ser comentador da TVI

O ministro de Estado e da Defesa Nacional e presidente do CDS-PP, Paulo Portas, prepara-se para apresentar a sua demissão do governo de acordo com informações facultadas à Inépcia por um assessor do ministro encarregue de lhe ir buscar as pantufas e que pediu o anonimato.
A decisão terá sido tomada na sequência do caso “Marcelo Rebelo de Sousa” que tanto tem abalado a coligação governamental.

Portas confidenciou a alguém, que obviamente não conseguiu estar calado durante muito tempo, que percebeu poder fazer mais pelos portugueses como comentador televisivo do que como ministro e que, desde que tomou posse pela primeira vez como ministro de Durão Barroso, tem vivido com a mágoa de não poder cumprir muitas das promessas que fez durante a campanha eleitoral, nomeadamente, as relacionadas com as reformas, com a terceira-idade e com a agricultura.

A influência dos comentários televisivos de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI sobre um público fiel e quase devoto e a forma como as suas opiniões se impunham e as suas propostas e desafios eram de imediato aceites, como sucedeu com a magnífica e patriótica ideia de pendurar bandeiras na janela durante o Euro, fez Portas perceber que a vocação que sempre sentiu para a prestação de serviços ao país dificilmente poderá ser cumprida como ministro ocupado com as suas tarefas oficiais e privado do contacto regular e directo com o seu povo que o ama e se habituou a ver nele um pai, um protector e até um santo.

O comentário de Portas na TVI terá o mesmo formato do de Marcelo e será igualmente incluído no Jornal Nacional de Domingo com uma duração semelhante que rondará os 45 minutos. Está assegurada a continuação das recomendações literárias (Paulo Portas promete começar a ler e recomendar 80 livros por semana, superando o recorde do professor) e dos intercâmbios de conversa de chacha com o pivot de serviço que poderá chegar até à troca de presentes, leitões assados, galhardetes, travessas de arroz doce feitas de propósito para Júlio Magalhães por Helena Sacadura Cabral e bustos de George W. Bush em pasta de papel esculpidos pelo seu irmão Miguel no centro de ocupação de tempos livres para eurodeputados.

A demissão de Portas não colocará problemas de maior ao governo até porque Santana Lopes se prepara para assumir a presidência do Sporting, sendo substituído na chefia do governo por Alberto João Jardim que será em breve convidado por Jorge Sampaio na condição de se portar bem.