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Paulo Portas ainda não conseguiu virar o processo de tráfico de influências a seu favor

O ex-presidente do CDS-PP e antigo ministro da Defesa de Durão Barroso e Santana Lopes, Paulo Portas, continua a formar opinião sobre o processo de tráfico de influências em que estão envolvidos alguns dos seus colegas de partido e governo mas garante que ainda não está preparado para tomar uma posição oficial, visto não ter conseguido arranjar maneira de virar a situação a seu favor, mesmo após reflexão prolongada.

Recorde-se que o processo diz respeito à autorização dada pelo anterior governo para a construção de um empreendimento turístico em Benavente, construção essa referida como sendo "de interesse público" e que motivou o abate de milhares de sobreiros. No centro da polémica estão o antigo ministro do Ambiente e braço direito de Portas no CDS, Luís Nobre Guedes, constituído arguido juntamente com um ex-dirigente do partido, Abel Pinheiro. O ex-ministro do Turismo, Telmo Correia, também tem sido referido com frequência mas, por enquanto, não houve qualquer pedido de levantamento da sua imunidade parlamentar.

"Tenho pensado muito no assunto," explica Portas na newsletter semanal que envia aos membros do seu clube de fãs juntamente com fotografias autografadas em fato de banho e vestido de noite, "mas é suficientemente sério para motivar uma reflexão adicional. Só peço aos meus companheiros de partido e a todos os portugueses que se reflectem nas posições políticas do CDS um pouco mais de paciência pois estou convicto de que conseguirei virar isto a favor do nosso partido, limpar a imagem dos envolvidos e permitir-lhes que usem este momento menos feliz para relançar as suas carreiras políticas. E a minha também, claro."

São conhecidas as capacidades do homem que conduziu o CDS ao governo para pegar em situações comprometedoras e transformá-las em algo positivo, permitindo-lhe fazer de vítima e usar as suspeitas de envolvimento em actividades menos lícitas como arma de arremesso contra os seus adversários. Como exemplo, refira-se a mestria com que lidou com os boatos que davam como certo o seu envolvimento no caso "Universidade Moderna" ou o modo como, ainda criança, partiu um jarrão chinês valioso e conseguiu que Helena Sacadura Cabral castigasse o seu irmão Miguel por não ter prestado atenção às tropelias do irmão mais novo, pormenor que terá estado na origem da incompatibilização política entre os dois, tendo ainda direito a um aumento de mesada por ter conseguido provar de forma conclusiva que as crianças são incompatíveis com peças de porcelana oriental e evitando o recurso a uma empresa de consultores que chegariam à mesma conclusão mas após um estudo dispendioso.

Até conseguir chegar a uma conclusão, Paulo Portas continuará enclausurado no mosteiro budista no Tibete que o recebeu de braços abertos após abandono das suas funções governativas e partidárias, dedicando-se afincadamente a estudar os ensinamentos de Buda e a partidas tórridas de strip-poker com os monges.

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