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Bárbara Guimarães candidata a primeira-dama de Lisboa

A mulher que mostrou ao país ser possível conjugar na perfeição os papéis de intelectual autodidacta e bomba sexual profissional, Bárbara Guimarães, manifestou publicamente a sua disponibilidade para assumir o cargo de primeira-dama da cidade de Lisboa, numa altura em que a candidatura de Manuel Maria Carrilho já é uma realidade.

A revelação foi feita na habitual tertúlia das quartas-feiras em que Bárbara participa com Anabela Mota Ribeiro e Catarina Furtado na sauna de um spa de luxo em Alcântara e onde passam longos minutos a discutir os conceitos de abstracção e desespero na obra de Kierkegaard, enquanto passam cubos de gelo pelo corpo suado e treinam boquinhas sedutoras.

“Apercebi-me do que posso fazer por Lisboa como primeira-dama enquanto lia o segundo volume da correspondência entre Milan Kundera e Eddie Murphy, uma edição muito interessante da Assírio e Alvim encadernada em papel reciclado e com lombada colada a frio,” afirma, “os portugueses merecem uma política cultural municipal idealizada por alguém que sabe o que devem ler, ver e ouvir e eu sou a pessoa ideal para me ocupar disso. E não acho que seja imodéstia. A respeito da imodéstia, faço minhas as palavras do eminente filósofo estónio Kaarel Kargaikka quando dizia ‘Mis imelik hais see on? Kas sa oled jälle kassi röstinud?’ e estou a citar de memória, claro.”

O cargo de primeira-dama não existe de forma institucional na administração autárquica de Lisboa mas Bárbara acredita que possa vir a existir se pedir muito “ao Manel” e se fizer a cara e a voz que costuma usar quando quer que este lhe explique “só mais uma vez” por que é que o Manet e o Monet são dois pintores diferentes.

Logo que assuma o cargo, a sua primeira medida será dotar todas as Lojas do Munícipe existentes na cidade de um serviço combinado de cabeleireiro/biblioteca onde, com cada permanente, será oferecido o primeiro volume da obra-prima de Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido.”

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