E-zine satírico sem corantes nem conservantes

Próximo sucesso da RTP será inspirado no processo Casa Pia

Depois do êxito estrondoso de “A Ferreirinha” que conquistou os corações de um em cada quarenta e sete dos cinco elementos que constituem o conselho de administração da RTP e recebeu o prémio para a melhor produção venezuelana do ano atribuído pelo Sindicato dos Madeireiros Gay do Suriname, a televisão pública volta a apostar no produto nacional e no talento do argumentista Francisco Moita Flores.

À vida no Douro vinhateiro do século XIX com a acção centrada em torno de uma das grandes impulsionadoras da produção e exportação de vinho do Porto, sucede-se o abuso sexual de alunos da Casa Pia e o mediático processo que se seguiu e que ainda não está concluído. Não é a primeira vez que Moita Flores aborda um tema tão delicado, tendo-o feito já com a série “Ballets Roses” em colaboração com Felícia Cabrita, jornalista responsável pela denúncia da situação, loura e senhora de longas e sinuosas pernas capazes de fazer o mais casto heremita urrar de prazer lascivo.

Para o autor, esta primeira experiência no mundo mágico da pedofilia ficcionada proporciona segurança acrescida no sempre complexo trabalho de transferir personagens reais para o pequeno écran, dotando-as de uma profundidade dramática acrescida. “Esta profundidade dramática de que falo é mais necessária ainda porque pretendo construir o guião da nova série a partir de uma amálgama de elementos retirados dos trabalhos que fiz anteriormente,” refere.

Este reaproveitamento de guiões de séries anteriores não é feito por motivos económicos, visto que o pagamento de Moita Flores continuará a ser um grande bezerro esculpido em ouro como é habitual, mas sim por uma questão de arrojo artístico aliado à consciência de que os diálogos de séries como “A Ferreirinha” ou “Alves dos Reis” são tão bons que não podem ser usados uma única vez. Os diálogos amorosos entre Camilo Castelo Branco e Ana Plácido em “A Ferreirinha”, por exemplo, servirão na perfeição para as cenas de sexo pedófilo entre um vulto parecido com o embaixador Jorge Ritto e a actriz Sandra Cóias que, mesmo nua da cintura para cima, conseguirá dar corpo a um adolescente de 14 anos de nome Sérgio com a competência que todos lhe reconhecem.

Para além de Sandra Cóias, o elenco contará com a repetição do par amoroso de “A Ferreirinha” com João Reis como Carlos Cruz e Catarina Furtado como Raquel Rocheta. Também já estão atribuídos os papéis de Felícia Cabrita (Filomena Gonçalves), Herman José (João Baião num invulgar papel dramático), Paulo Pedroso (Rui Unas) e Bibi (Diogo Infante que representará inteiramente em inglês para mostrar a sua versatilidade como actor). O próprio autor é uma das personagens secundárias da série, surgindo como comentador televisivo, e será interpretado por João Soares, envergando a mesma barba postiça que tão bem lhe assentou aquando da participação em “A Ferreirinha.”

Outro motivo de realce nesta produção ainda sem título é a participação do padre Frederico Cunha como consultor especial para as questões pedófilas e a reciclagem das barbas, suíças e bigodes de “A Ferreirinha” que servirão para criar a cabeleira e a barba do médico Ferreira Dinis.